A greve dos enfermeiros, que se iniciou na terça-feira, teve uma adesão de 82 por cento nos hospitais no turno da noite, disse à agência Lusa o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

De acordo com José Carlos Martins, em declarações à agência Lusa, a nível nacional, a adesão à greve foi de 82 por cento no turno da noite e de 77,7 por cento no turno da tarde [de terça-feira].

O SEP decidiu avançar com dois dias de greve (terça e quarta-feira) alegando que o ministro da Saúde, Paulo Macedo, se comprometeu a agendar uma reunião entre os dias 17 e 25 de junho com os enfermeiros para discutir matérias urgentes e não cumpriu.

«Em causa está a degradação das condições de trabalho», nomeadamente o aumento do horário de trabalho para as 40 horas semanais sem remuneração e os cortes no setor da saúde, que permitem que existam enfermeiros a ganhar 3,4 euros/hora, e a situação dos profissionais a Contrato Individual de Trabalho.

No entanto, o Ministério da Saúde rejeita as acusações, afirmando que o seu diálogo com os sindicatos tem sido «sistemático».

Para as 11:00 desta quarta-feira está marcada uma concentração de protesto junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa.

O dirigente do SEP destacou, na terça-feira em conferência de imprensa, «dois efeitos práticos» que já resultaram desta greve: o Ministério da Saúde já agendou uma reunião com o sindicato para sexta-feira e o grupo parlamentar socialista vai apresentar um projeto de resolução sobre esta matéria.

Caso a tutela não perspetive, na sexta-feira, uma solução para os problemas, está já agendada uma vigília junto ao Ministério da Saúde entre os dias 22 e 24 deste mês.

Contactado pela agência Lusa na terça-feira, o Ministério da Saúde disse que os dados de adesão à greve só são disponibilizados cinco depois da paralisação.