A Sociedade Portuguesa de Ginecologia (SPG) manifestou-se esta quinta-feira contra a redução de três para uma dose de vacina contra o papiloma vírus humano (HPV). A organização considera que os estudos que sustentam essa diminuição são pouco consistentes.

A propósito de notícias recentemente divulgadas sobre a eventual redução do número de doses a administrar da vacina contra o HPV, a presidente da SPG afirma que «o estudo em que se baseiam as notícias tem uma casuística pequena e avalia apenas a resposta imunitária, não permitindo tirar qualquer ilação quanto à efetiva prevenção da doença».

Um estudo levado a cabo no National Cancer Institute (NCI), nos Estados Unidos, e publicado na segunda-feira, indica que uma única dose de vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV), poderá ser suficiente para dar imunidade de longa duração.

«Estes resultados põem em causa as recomendações atuais de que a vacina contra o HPV requer múltiplas doses para gerar uma resposta imune duradoura», afirmou a principal autora da investigação, cujo trabalho foi publicado na revista Cancer Prevention Research.

De acordo com Fernanda Águas, presidente da SPG, a administração de três doses da vacina «é fundamentada em estudos de grande dimensão efetuados ao longo de vários anos e que comprovam a eficácia da vacina relativamente ao objetivo final que é a redução da doença».

«Face aos conhecimentos atuais, a SPG não vislumbra qualquer razão para alterar as recomendações, nacionais e internacionais, expressas no seu consenso sobre a vacina contra o HPV, publicado em 2010, e aconselha a que se devem continuar a administrar as três doses da vacina», adiantou a presidente da SPG à agência Lusa.

Para a responsável, a vacina contra o HPV «é o maior avanço científico e de saúde pública na prevenção do cancro genital», além de que, em Portugal, os níveis de adesão das jovens a esta vacina são dos mais elevados do mundo.