A greve dos enfermeiros do Centro Hospitalar de Gaia regista esta terça-feira, na «maior parte dos serviços de internamento, uma adesão de 100%», estando também a ser muito afetados as consultas e o bloco operatório, disse fonte sindical.

A greve no Hospital de Gaia visa reivindicar a contratação de mais enfermeiros e exigir que as administrações tenham autonomia para admitir os profissionais necessários.

Em conferência de imprensa realizada à porta da unidade hospitalar, a dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), Fátima Monteiro, referiu que saíram deste hospital «cerca de 60 enfermeiros» e que «só estão a ser autorizadas admissões de 15».

«Esta carência reflete-se nos ritmos elevados de trabalho que recaem sobre os enfermeiros que cá estão», sublinhou a dirigente sindical.

«Estes profissionais fazem horas e horas consecutivas, muito deste trabalho não é remunerado, deixam de ter folgas durante 15 dias, o seu horário é gerido quase diariamente. Isto é insuportável. Tem de haver por parte do Governo uma medida rápida para por fim à situação de grave rutura que se está a viver nos hospitais», disse.

«Há serviços em que a qualidade dos serviços está colocada em causa, há fecho de camas porque os colegas não conseguem, por muito esforço que façam, responder às necessidades dos utentes tanto em tempo útil como em qualidade de cuidados», sublinhou Fátima Monteiro.

A nível nacional, segundo a dirigente do SEP, «faltam cerca de 25 mil enfermeiros, mas diariamente saem algumas centenas». «É incrível que o Governo que se diz preocupado com os seus cidadãos obrigue jovens enfermeiros e outros profissionais altamente qualificados a deixar o seu país quando tão necessários são para as instituições».

No Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia trabalham «930 enfermeiros», acrescentou.