A Ordem dos Enfermeiros alertou esta quarta-feira que os serviços prestados nos centros de saúde dos Açores podem entrar em rutura com a contratualização de camas para cuidados continuados, reiterando que há um défice de profissionais de enfermagem no arquipélago.

«Temos vindo a afirmar e a demonstrar, desde o início deste mandato, que existem unidades de saúde na Região Autónoma dos Açores para as quais urge a colocação de mais profissionais de enfermagem por se encontrar em risco a segurança e a qualidade dos cuidados de enfermagem prestados», considera a secção regional da ordem, em comunicado.

Os enfermeiros alertam, por isso, que o previsível aumento do número de utentes, «com dependência de cuidados, em unidades de internamento já de si carentes de horas de cuidados de enfermagem, poderá levar a uma rutura dos cuidados de enfermagem prestados, com sérias consequências para a população».

Em causa está uma resolução do Governo dos Açores, publicada esta semana, que autoriza a contratualização de camas nos internamentos dos centros de saúde das ilhas para cuidados continuados com os médicos dessas unidades.

Para a Ordem dos Enfermeiros, o Governo açoriano «descurou» porém «capacidade» dos profissionais de enfermagem «para fazer face às necessidades de cuidados necessários», lamentando «a visão médicocêntrica em torno do Serviço Regionald e Sáude».

«As muitas das respostas existentes no Serviço Regional de Saúde baseiam-se no exercício de funções dos profissionais de enfermagem, apesar de todas as contrariedades que têm assolado esta classe profissional ao longo dos últimos anos», acrescenta o mesmo comunicado, que acrescenta que o Governo Regional vai agora contratualizar as camas dos cuidados continuados com os médicos, «os mesmo profissionais que atualmente, em determinadas situações, são remunerados» para ficar de prevenção em caso de urgência «e que, quando contactados, dificilmente comparecem».

No dia em que a resolução do executivo açoriano foi publicada, fonte oficial da Secretaria Regional da Saúde disse à Lusa que, até agora, a contratualização de camas para cuidados continuados era feita apenas com Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), havendo 67 na ilha de São Miguel, 47 no Faial e 19 em São Jorge.

No entanto, as camas dos centros de saúde de diversas ilhas eram já usadas com este fim, pelo que aquilo que a resolução determina é que passem a integrar oficialmente a rede de cuidados continuados integrados dos Açores, disse a mesma fonte.

O executivo açoriano explica, no texto da resolução, que avança com esta medida «considerando a capacidade de internamento de algumas das unidades de saúde de ilha» e que «importa racionalizar os recursos existentes no Serviço Regional de Saúde».