A Câmara Municipal de Lisboa assinala oficialmente pela primeira vez, no sábado, o Dia Internacional Contra a Homofobia e Transfobia, mas ainda «há muito a fazer», disse esta sexta-feira o vereador dos Direitos Sociais.

«A informação que temos e conseguimos registar até à data é de que é a primeira vez que se assinala formalmente este dia aqui na câmara», afirmou à agência Lusa João Afonso.

«É um trabalho que já começámos a fazer a vamos continuar nos próximos três anos e meio [de mandato], em que estas matérias farão parte da nossa agenda política, porque é necessário combater a discriminação em todas as suas vertentes», acrescentou.

O autarca referiu também que esta é uma preocupação da câmara visto que «Lisboa é talvez a cidade [portuguesa] que tem mais pessoas afetadas no seu dia-a-dia pela homofobia e transfobia».

No entanto, «há mesmo muito a fazer» para acabar com estes fenómenos, sublinhou.

Ainda assim, o autarca mostrou-se esperançoso de que câmara passe a ser identificada como um parceiro que trabalha no terreno e apoia as pessoas.

João Afonso recordou os dados da Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais referentes à situação do país em 2013, definindo-os como «otimistas».

Segundo a informação disponibilizada, uma em cada cinco pessoas inquiridas que estavam empregadas e/ou à procura de emprego nos 12 meses anteriores ao inquérito sentiu-se discriminada. O número subiu para uma em cada três pessoas inquiridas no caso dos transgénero.

O vereador com o pelouro dos Direitos Sociais indicou que «o próprio facto de as pessoas não se reconhecerem em nenhuma entidade capaz de receber as suas reclamações faz com que os números fiquem aquém da realidade», visto que muitas vezes não apresentam queixa.

Também a reprovação do diploma do PS sobre a adoção e coadoção por casais do mesmo sexo vai ser relembrada neste dia internacional.

«Dia 15 de maio foi Dia Internacional da Família, dia 01 de junho é o Dia Mundial da Criança e, mais ou menos a meio, temos este dia. Se juntarmos estas três datas, é natural que no Dia Internacional contra a Homofobia e Transfobia falemos das famílias que são vítimas desta discriminação», contou João Afonso.

As famílias LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexo) já «existem, não estamos a dizer que se vão constituir. São famílias felizes e poderiam ser muito mais» se não tivessem de ser submetidas a «constrangimentos legais e por preconceitos», apontou.

Este é um dos temas que vai estar em debate na tertúlia «Lisboa Arco-íris», promovida pelo Chapitô na sede da instituição, no dia 28 de maio, às 21:30, na qual João Afonso será um dos oradores.