A Proteção Civil informou esta quinta-feira que já foram destruídos na região do Alto Minho, desde janeiro, 113 ninhos de vespa asiática, uma espécie predadora que ameaça a produção de mel.

«Desde o início do ano já validámos a presença de 101 ninhos e foram destruídos 113. Alguns já tinham sido detetados em 2012», disse à agência Lusa o 2.º comandante distrital de operações de socorro de Viana do Castelo, Robalo Simões.

O concelho de Viana do Castelo, acrescentou o responsável, continua a ser o mais afetado pela presença desta espécie, contabilizando, em apenas cerca de nove meses, 92 ninhos destruídos. Seguem-se os concelhos de Ponte de Lima (10) e Monção (cinco), além de casos pontuais em Caminha, Valença e Vila Nova de Cerveira.

Por norma estes ninhos são detetados a mais de 10 metros de altura, no topo de árvores, mas nas últimas semanas há registo, igualmente, de outros encontrados em zona de silvas, habitacionais e até na sede de uma junta de freguesia (Monção).

A vespa velutina, conhecida também como asiática, é maior do que a vespa autóctone nacional, sendo considerada uma espécie invasora. Por ser predadora de abelhas constitui uma ameaça à produção de mel.

A Proteção Civil de Viana do Castelo apelou à população, no início do ano, para participar a deteção de novos casos de ninhos de vespa asiática na região, mas «sem alarmismos». As autoridades já previam, na altura, um aumento do número de casos nos meses seguintes, à semelhança da progressão da espécie registada em França e Espanha.

Desde dezembro de 2012 que a coordenação das operações de identificação e destruição de ninhos de vespa asiática na região está a cargo da Proteção Civil do distrito, sendo a destruição assegurada normalmente pelos bombeiros, com recurso a lança-chamas adaptados.

Segundo Miguel Maia, técnico da Associação Apícola Entre Minho e Lima (APIMIL), além do problema da biodiversidade, ao «prejudicar a alimentação» de outras espécies, trata-se de uma vespa «mais agressiva». «Faz com que as abelhas não saiam para procurar alimento, porque estão a ser atacadas, enfraquecendo assim as colmeias, que acabam por morrer», explicou, na ocasião.

Ainda assim, admite que não sejam um «perigo imediato» para os seres humanos. «Só se forem lá mexer», disse.

A vespa velutina é originária do sudoeste da Ásia e foi introduzida na Europa através do porto de Bordéus, em França, no ano de 2004. «De então para cá, já conquistou um terço do território francês e colonizou parte do norte de Espanha, em 2010. No ano seguinte a presença foi detetada em Portugal», explica a APIMIL.

Em Portugal, além de casos pontuais no distrito de Braga, a presença desta espécie está concentrada em Viana do Castelo.