O candidato às primárias do PS, António Costa, defendeu este domingo que os atuais pensionistas vejam as suas pensões repostas, acabando com os cortes, alegando que não são as pensões que recebem que impedem a sustentabilidade da Segurança Social.

Discursando em Buarcos, Figueira da Foz, num almoço com cerca de 150 apoiantes, António Costa fez menção de «estabilizar de uma vez por todas as pensões já formadas», acabando com os cortes «porque as pessoas têm direito a ganhar a pensão que constituíram e que não lhes deve ser retirada».

O também presidente da Câmara de Lisboa disse que um futuro governo socialista terá de «travar a austeridade para devolver a confiança» aos cidadãos.

O candidato lembrou ainda que foi o PS «que fez a grande reforma da Segurança Social», uma reforma «que melhor garantiu a sustentabilidade futura», alegando que aquilo que está a «fragilizar» a sustentabilidade do sistema de proteção social «não é o que os atuais pensionistas recebem».

«O que está a fragilizar a sustentabilidade da nossa Segurança Social é o elevadíssimo nível de desemprego, é a elevadíssima taxa de emigração que está a tirar dos cofres da Segurança Social 8 mil milhões de euros», sustentou.

António Costa defendeu, no entanto, que as medidas estruturais, nomeadamente a convergência entre o setor público e privado «devem prosseguir».

O candidato às eleições primárias do PS acusou ainda o Governo de «instigar o egoísmo» na sociedade portuguesa, de «dividir os portugueses entre novos e velhos».

«Nenhum de nós que a alguém mais no mundo do que aos nossos próprios filhos. Mas eu não aceito ser colocado na situação entre ter de escolher o futuro dos meus filhos e o presente da minha mãe, porque as famílias são feitas de todas as gerações, como as sociedades são feitas de todas as gerações e é vivendo solidariamente que nós construímos uma sociedade que seja uma sociedade decente», frisou.

No discurso de mais de meia hora, Costa criticou também o Governo considerando «inadmissível» que o acordo de parceria e os programas operacionais dos fundos europeus do próximo quadro comunitário de apoio ainda não estejam concluídos.

«É inadmissível que estejamos em julho deste ano e ainda não tenhamos nem o acordo de parceria nem os programas operacionais em condições de poderem começar os fundos comunitários a serem injetados na economia», disse António Costa num almoço com militantes e simpatizantes do PS em Buarcos, Figueira da Foz.

Disse ainda que existem 5 mil milhões de euros do quadro comunitário anterior (QREN) «por gastar, por incapacidade do atual Governo».

«Temos de acelerar, porque estamos muito atrasados, a mobilização dos fundos comunitários que estão disponíveis e são fundamentais para revitalizar a economia e para darem às nossas empresas a oportunidade de voltarem a investir, voltarem a trabalhar, voltarem a criar riqueza e postos de trabalho», defendeu o candidato às primárias socialistas.