Os reformados dizem-se perseguidos pelo Governo e estão revoltados com mais cortes anunciados para as pensões.

O ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares, admitiu no domingo que haverá cortes nas pensões de sobrevivência em 2014 sem esclarecer valores. Contudo, o ministro garante que a medida irá salvaguardar os pensionistas com rendimentos mais baixos.

«Este corte afeta vivos e viola até os próprios mortos, o que é uma traição visto que eles trabalharam durante uma vida com dedicação absoluta, com base numa confiança na entidade empregadora, que agora não sabe respeitar a sua memória», disse à agência Lusa Rosário Quaresma, reformada de 70 anos.

Esta opinião é também partilhada por Teresa Portugal: «Esta medida mexe com coisas que são profundamente sérias, o morrer em paz».

«Quando uma pessoa se vê em vias de passar para o outro mundo sabe que, com o seu trabalho, salvaguardou o futuro» do cônjuge e esta medida vem pôr isso em causa, afirma a professora reformada, de 74 anos.

A antiga professa diz que as pessoas se sentem «altamente revoltadas» e questiona o porquê desta «atitude persecutória relativamente aos velhos e aos reformados».

Rosário Quaresma também se sente indignada com os cortes que tem sofrido na reforma, que já somam 530 euros.

Quando se aposentaram acharam que iriam ter «uma vida remediada» e que não precisariam dos filhos para sobreviver, mas esta reformada da Função Pública diz estar muito pessimista em relação ao futuro.

Teresa Portugal também diz que sua vida ficará «altamente afetada», porque não tem rendimentos: «Vivo da minha reforma e da pensão de viuvez, que são fundamentais para gerir a minha vida».

«Se eu tenho este estado profundo de revolta como é que estarão as pessoas que se encontram numa situação mais grave do que eu», questiona, advertindo que «as pessoas são capazes de tudo quando já não têm mais nada a perder».