Cerca de meia centena de automóveis de escolas de condução «invadiram» hoje o Largo de Camões, perto do Ministério da Economia, em Lisboa, em defesa do setor e do ensino da condução automóvel em Portugal.

Nem tudo vai bem no ensino da condução automóvel

Os automóveis concentraram-se hoje ao início da manhã e percorreram algumas artérias da cidade de Lisboa em protesto, fazendo uma primeira paragem na sede do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMTT), onde entregaram um ofício a apresentar as suas reivindicações e a solicitar uma reunião com caráter de urgência, rumando depois para o Largo de Camões.

Em declarações à agência Lusa, José Manuel Oliveira, coordenador da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Transportes e Comunicações (FECTRANS), explicou que o setor não «conseguirá sobreviver» se não forem atendidas algumas das reivindicações dos seus industriais.

«Viemos apresentar um documento com três ou quatro reivindicações que passam pela redução da carga fiscal, o combate à concorrência desleal, com as grandes escolas a absorverem e a asfixiarem as pequenas escolas - à semelhança do que acontece em outros setores do país -, uma situação que está a colocar muitos posto de trabalho em causa», declarou José Manuel Oliveira.

As reivindicações dos trabalhadores passam pela fixação de um valor mínimo para as cartas de condução, a suspensão dos cursos de acesso à profissão de instrutor, à redução do IVA no setor e à formação e atualização dos instrutores sem custos para estes, entre outras.

O sindicalista lembrou que as escolas de condução têm a função de ensinar a conduzir, salientando que «uma das chagas do país» pode começar a ter resolução no setor, com o «aumento da qualidade de ensino, como forma de combater os acidentes rodoviários e a sinistralidade nas estradas».

No Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMTT), Vitor Pereira, representante da FECTRANS, e uma delegação composta por trabalhadores e proprietários das escolas de condução, foram recebidos pelos responsáveis daquele organismo, tendo ficado já agendada uma reunião para a próxima segunda-feira, pelas 11:00.

Já no Ministério da Economia, a mesma delegação esteve reunida com o ajunto do Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, que irá transmitir as reivindicações ao responsável pela pasta dos transportes.

«Pedimos igualmente uma reunião com caráter de urgência com o secretário de Estado, pois vamos apresentar propostas para que se possam encontrar soluções para o problema. Não podemos ficar a assistir à degradação do ensino automóvel, nem à morte das escolas de condução», afirmou Vítor Pereira.