O número de alunos no ensino profissional quase quadruplicou numa década em Portugal, mas está ainda aquém da média dos países da União Europeia e muito longe dos países mais desenvolvidos.

Os dados foram divulgados pela Pordata, base de dados organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Em 2011, havia 440 mil alunos no secundário em Portugal, dos quais 198 mil seguiam a via geral e 110 mil o ensino profissional, um número que em 2001 se ficava pelos 30 mil alunos, num total de 413 mil alunos.

Os dados da Pordata registam ainda uma quebra no número de alunos do ensino recorrente nos últimos dois anos, que passou de 169 mil em 2009 para os 96 mil em 2011, o que estará relacionado com o fim do programa Novas Oportunidades.

Os números mostram igualmente que entre 2001 e 2011, os cursos técnico-profissionais diminuíram de cerca de 66 mil para 15 mil alunos.

Juntando os alunos do ensino profissional e dos cursos técnico-profissionais, o aumento registado é menos expressivo, passando de 96 mil alunos em 2001 para 126 mil alunos em 2011.

Por outro lado, nestes 10 anos o número de alunos na via geral de ensino caiu de 242 mil para 198 mil.

Estes dados servirão de base a uma conferência sobre esta área de ensino promovida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que pretende abordar os caminhos a seguir no ensino profissional em Portugal bem como analisar as respostas a dar em matéria de formação aos jovens que não entram nas universidades e que este ano foram cerca de 60 mil.

Para Carlos Fiolhais, responsável pelo programa de Educação da Fundação e mediador da conferência, estes dados revelam que em matéria de ensino profissional ainda não se progrediu o suficiente em Portugal.

Em termos europeus, dados do Eurostat relativos a 2009, colocam Portugal no grupo de países com maior percentagem de alunos na via académica de ensino, 62 por cento, contra 38 por cento para a via vocacional.

A diferença é ainda maior quando a comparação é feita com os países mais desenvolvidos da Europa, como a Alemanha, cujo sistema está a ser adotado de forma experimental em Portugal, e que tem 53 por cento de alunos do secundário no ensino vocacional.

Para Carlos Fiolhais, a aplicação do sistema alemão, em que parte da formação é feita na escola e outra em trabalho nas empresas, esbarra com a fragilidade do tecido empresarial português e com a falta de articulação entre escolas e empresas.

Mas, para o responsável pelo programa de Educação, a questão mais preocupante é sermos o país europeu com a menor percentagem de pessoas que completaram o secundário na faixa etária dos 25 aos 64 anos, ou seja, pessoas que se encontram no mercado de trabalho.

A taxa portuguesa situa-se nos 37,6 por cento, enquanto a média europeia é 74,2 por cento.

«Este é que é o grande drama nacional: pessoas pouco qualificadas não produzem riqueza suficiente», considerou Carlos Fiolhais, para quem é um imperativo qualificar mais jovens.

«Temos que qualificar mais jovens e, se olharmos para o exemplo europeu, o ensino profissional é a melhor via para isso», concluiu.