As comissões de proteção de crianças e jovens acompanharam 53 494 processos de situações de perigo nos primeiros seis meses deste ano, mais 1 328 em comparação com o mesmo período do ano passado.

De acordo com o relatório semestral da atividade processual das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), este aumento resulta do número de processos transitados, dos instaurados pela primeira vez e ainda de processos reabertos, adianta a agência Lusa.

Este facto já tinha sido verificado no relatório anual de 2012. No documento é explicado que esta é uma consequência do aumento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, alargando o universo de jovens e de situações de perigos suscetíveis de intervenção das comissões.

À semelhança de relatórios anteriores, a análise semestral revela que são os estabelecimentos de ensino que mais situações de perigo sinalizam à CPCJ.

Em 2012, as escolas fizeram 4 533 sinalizações (27,9 por cento do total) e nos primeiros seis meses de 2013 sinalizaram 5 480 crianças e jovens (31,6 por cento do total).

O aumento da escolaridade obrigatória e a atividade de sinalização de casos de perigo por parte das escolas é a também a explicação dada no documento para a maior representatividade de sinalização nos jovens entre os 15 e os 21 anos.

Por outro lado, registou-se uma diminuição das sinalizações por parte dos pais/responsáveis legais.

A exposição a modelos de comportamento que possam comprometer o bem-estar da criança é a situação de perigo mais sinalizada às CPCJ representando 25,4 por cento do total, enquanto a negligência, que surgia em primeiro lugar, diminui, figurando agora no terceiro lugar com 20,7 por cento das sinalizações.

As situações que comprometem o direito à educação constituem a segunda situação de perigo mais sinalizada, representando cerca de metade das problemáticas sinalizadas para jovens entre os 15 e os 18 anos com processos instaurados.

Os dados revelam ainda que diminuíram as situações de mau trato físico (2012: 6,1%/874 para 2013: 5,5%/782) assim como o mau trato psicológico (2012: 3,8%/549 e em 2013: 2,8%/398).