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Aeronave caiu por «incapacidade para voar»

Queda fez dois mortos em Montemor-o-Novo

Por: tvi24 / CLC    |   2012-05-03 13:41

A queda de uma aeronave em Montemor-o-Novo, que levou à morte dos dois ocupantes, foi provocada por erro humano e por uma falha técnica, segundo o relatório final do acidente do GPIAA, a que a Agência Lusa teve hoje acesso.

«A incapacidade da aeronave para voar, por ter ido para o ar com a velocidade mínima de sustentação e não conseguir acelerar sem perder altitude, foi considerada a causa mais provável do acidente», explica o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves.

Na origem do acidente, ocorrido na tarde de 06 de março, terão estado duas causas: o facto de o piloto ter descolado com vento forte de cauda, sem que houvesse tabelas ou gráficos para a correção dessa situação e a deterioração da potência desenvolvida pelo motor.

Segundo o relatório, existia uma manga de vento no aeródromo, mas não havia equipamento de medição de direção e intensidade do vento, pelo que o piloto, não se apercebendo da sua verdadeira intensidade, optou por descolar com vento de cauda, evitando ter de rolar ao longo da pista para o outro extremo.

O piloto, José Alberto Sousa Monteiro, de 69 anos, e José Inácio da Costa Martins, capitão de abril com 70 anos e ex-piloto da Força Aérea Portuguesa, foram as duas vítimas mortais provocadas pela queda da aeronave na localidade do Ciborro, concelho de Montemor-o-Novo.

A autópsia feita ao piloto revelou como causa mais provável da sua morte, um enfarte cardíaco. O GPIAA acredita que as circunstâncias eram altamente favoráveis para que tal acontecesse, tendo em conta o historial médico do piloto e o grau de stress induzido pela impossibilidade de manter o avião a voar e a certeza de uma colisão iminente.

Mesmo assim, sustenta o relatório, não é possível afirmar que a incapacitação do piloto [enfarte cardíaco] tenha sido a causa do acidente, antes parece ter sido uma consequência.

O GPIAA esclarece que a pista do aeródromo de Ciborro é privada e não consta do registo de aeródromos nacionais do Manual do Piloto Civil. Depois de se despenhar, a aeronave imobilizou-se, em posição invertida, a cerca de 300 metros do fim da pista.

De acordo com os registos encontrados, a aeronave teria voado muito pouco nos últimos tempos, sem ter sido submetida a ações de manutenção específicas, avança o relatório final do acidente divulgado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves.

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