Por: Redacção / CLC | 21- 7- 2011 22: 24
valter hugo mãe é um escritor português que com algumas palavras fez chorar muitos brasileiros. O autor galardoado com
o prémio Saramago foi recebido na Feira Literária de Paraty (Flip) como um autor reconhecido. O português preparou um texto
que leu perante uma plateia de dois mil leitores que se emocionaram. No final, também valter chorou. Esta quinta-feira o escritor
falou de si e dos momentos que vive em entrevista à jornalista da TVI, Judite Sousa.
valter começou por explicar
porque sentiu necessidade de escrever um texto para ler à plateia. «Precisei de explicar às pessoas essa importância que
as coisas têm. A importância que aquelas pessoas ali reunidas, aqueles leitores ali reunidos, têm para mim enquanto escritor.
Enfim, acovardei-me um pouco quando assisti às mesas anteriores às minhas e pensei: "Eu tenho de ter uma rede". E creio que
essa rede foi de facto que me salvou».
«Eu fui percebendo as pessoas envolvidas no texto, a escutarem de facto o
texto. E de vez enquanto quando levantava os olhos vi as caras delas, os olhos já muito emudecidos e é muito fácil eu chorar
quando vejo alguém chorar», explicou.
Sobre o facto de ter tido duas mil pessoas a aplaudi-lo em pé, valter hugo
mãe diz que foi «incrível». «Alias, eu senti-me envergonhado. Foi muito esmagador», completou.
O escritor português,
a quem Saramago apelidou de tsunami, conta ainda que foi alvo de vários convites de casamento e propostas ousadas quando esteve
no Brasil. «Foi assustador, algumas pessoas pediram-me em casamento de uma forma um pouco física. Houve umas senhoras que
se tornaram mais apelativas mostrando-me um pouco mais de pele», explicou.
Antes de se dedicar à escrita, valter
foi advogado, mas o sonho da poesia acabou por vencer e deixou o direito. A viver nas Caxinas, conta que chegou a pensar que
a sua entrada no mundo literário era um «erro no sistema».
O escritor português tem ainda a particularidade de escrever
apenas com letras minúsculas. «Eu escrevi em minúsculas porque queria que o texto se recuasse um pouco à sua natureza livre
do pensamento, da forma como falamos. A fala não tem grande sinalética, tem uma certa respiração. Eu queria abdicar da parafernália».
valter hugo explica ainda que escolheu porque escolheu para nome artístico o apelido «mãe». «mãe porque as mulheres
mães são eventualmente os indivíduos mais incondicionais, os mais impensáveis, aqueles que eu mais invejo ou que produzem
um amor mais invejável e que em relação à obra que no fundo criam se tornam mais acérrimos e mais defensores e isso é mais
uma das utopias. Eu acho que é aquilo que todo o artista quer da sua obra: que se torne, que se imponha como algo que precisa
de ser defendido por todos».
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