Por: tvi24 | 28- 7- 2010 19: 13
Ricardo Sá Fernandes, advogado do arguido Carlos Cruz no processo Casa Pia, disse esta quarta-feira esperar que o novo
adiamento da leitura do acórdão seja feito «em prol de uma melhor Justiça», noticia a Lusa.
«Espero que este adiamento
seja, no fundo, algo que foi necessário para que o tribunal no seu processo deliberativo encontrasse as melhores soluções
para fazer a melhor Justiça possível», disse Ricardo Sá Fernandes à agência Lusa.
Sá Fernandes reconheceu que é com
«incómodo» e «desagrado» que Carlos Cruz e os seus advogados são confrontados com este novo adiamento, mas que «não vale a
pena dramatizar excessivamente a situação».
«A verdade é que o processo deliberativo tem sido excepcionalmente longo»,
observou o causídico, lembrando que as alegações finais do julgamento terminaram em Janeiro de 2009, ou seja, há 18 meses.
Ricardo
Sá Fernandes entende que tal prolongamento do processo deliberativo do tribunal deve-se «certamente à excepcional complexidade
do processo» e fez votos para que este novo adiamento sirva para alcançar «a melhor Justiça possível», podendo com isso superar
a «desvantagem» que tem sido a morosidade deste caso, que dura há sete anos, desde o início da investigação.
«O pior
de tudo é uma má Justiça, é uma decisão errada. Isso é pior do que qualquer demora. Espero que este adiamento seja feito em
prol de uma melhor Justiça», concluiu o advogado.
Entretanto, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) informou
hoje que o novo adiamento da leitura do acórdão do processo Casa Pia, para 3 de Setembro, é justificado pela «complexidade»
do caso, que envolve 826 crimes e 32 vítimas.
Em comunicado, o CSM indica que o despacho do colectivo de juízes
aponta como razões do adiamento «a complexidade do processo» e acrescenta que «a fase essencial do processo é a elaboração
do acórdão».
«Tendo em conta o número de crimes acusados, as pessoas identificadas como vítimas, as 800 pessoas que
foram ouvidas, o facto de o processo contar já mais de 66 mil páginas e ter cerca de 570 apensos (alguns deles com mais de
10 volumes) (¿) torna-se necessário mais algum tempo real, para a escrita deste acórdão», indica o comunicado.
É
ainda referido pelo CSM que o despacho de pronúncia tem cerca de 200 páginas e as contestações cerca de 1300.
A
leitura do acórdão do processo Casa Pia já tinha sido adiada de 09 de Julho, a data inicial, para 05 de Agosto, sendo hoje
novamente adiada, desta vez para 3 de Setembro próximo.
Neste julgamento, que dura há mais de cinco anos, são arguidos
- acusados de vários crimes sexuais com menores da Casa Pia de Lisboa ¿ Carlos Silvino, antigo motorista da instituição, o
apresentador de televisão Carlos Cruz, o ex-provedor adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes, o embaixador Jorge Ritto, o advogado
Hugo Marçal, o médico Ferreira Diniz e Getrudes Nunes, dona de uma casa em Elvas onde alegadamente ocorreram abusos.
O
processo Casa Pia está a ser julgado nas Varas Criminais, no Campus da Justiça de Lisboa.
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