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Afinal, quem tramou George Wright?

Telefonemas para a família e impressão digital denunciaram norte-americano

Por: Cláudia Lima da Costa  |  28- 9- 2011  20: 9

George Wright [LUSA]

É uma história digna de filme. Um dos criminosos mais procurados dos EUA vivia afinal tranquilamente em Sintra há mais de 20 anos numa bonita casa tradicional. Para os olhos mais atentos, a caixa de correio «à americana» ou o sotaque pouco português podiam indiciar que havia algo mais na história de vida de Jorge Santos (nome que George Wright usava em Portugal) do que o que estava à vista, mas nada que apontasse a dura realidade: o vizinho do lado era afinal um assassino condenado e um pirata do ar em fuga há mais de 40 anos.

Um «filme» que podia nunca ter acontecido e Jorge Santos seria sempre Jorge Santos, de Almoçageme. Mas a Justiça norte-americana tem fama de infalível e não esquece um crime. Mas afinal, o que tramou George Wright?

Contactada pelo tvi24.pt a Polícia Judiciária recusa-se a revelar como um dos homens mais procurados dos EUA foi encontrado na pacata freguesia de Colares. Mas às autoridades norte-americanas levantam a ponta do véu.

O caso de Wright nunca foi esquecido pela Justiça norte-americana e em 2002 estava no topo das prioridades da força especial criada para apanhar fugitivos. Nos últimos nove anos, o caso nunca deixou de ser investigado e todas as anteriores fugas de George Wright foram analisadas até à exaustão.

As vítimas foram novamente investigadas, os passageiros sequestrados foram questionados e efectuados retratos de envelhecimento que ajudariam a ter uma ideia da sua aparência, tantos anos após os crimes.

Pista que também nunca deixou de ser seguida foram as escutas aos telefones dos familiares que Wright deixou nos EUA. Terá sido através de um destes telefonemas que as autoridades chegaram a uma morada, entre muitas, que era necessário verificar.

Segundo Michael Schroeder, porta-voz do serviço de Marshals dos EUA, a morada de Portugal «era apenas mais uma pista por verificar», disse à AP. Schoroeder disse ainda que tudo mudou na semana passada quando a impressão digital constante no processo norte-americano foi comparada com a do homem que vivia na casa de Colares.

«Eles [Portugal] têm um sistema de registo de identificação. Comprovaram que a impressão digital era a mesma e verificaram que a imagem do cartão era semelhante ao retrato robot», disse Schoroeder. O cartão de cidadão de José Luís Jorge Santos, que foi emitido em 1993 e expirou em 2004, foi decisivo para confirmar a sua verdadeira identidade e levou a PJ a Colares durante o fim-de-semana.

Presente a tribunal esta quarta-feira, Wright reconheceu a veracidade dos factos que constam do seu pedido de extradição pelas autoridades dos EUA, segundo fonte judicial disse à Lusa, mas opôs-se à extradição e manifestou a intenção de não cumprir a restante pena de prisão nos EUA, onde foi condenado em 1962 por homicídio.

A fonte revelou ainda que, até ao momento, o detido, que está em prisão preventiva ao abrigo do processo de extradição, não está indiciado pela prática de qualquer crime em Portugal. Da documentação apresentada às autoridades judiciárias consta ainda que o cidadão é natural da Guiné-bissau, país onde pediu asilo político na década de 80.

George Wright, de 68 anos, foi detido na segunda-feira, tem dois filhos de 24 e 26 anos e é casado com uma cidadã portuguesa.

George Wright foi condenado em 1962 por homicídio e fugiu da cadeia de Bayside, em Leesburg, em 1970, após cumprir sete anos de cadeia. Dois anos mais tarde participou, vestido de padre e acompanhado por uma filha e a companheira, no desvio de um avião para a Argélia.

Viveu ainda na Guiné-Bissau antes de se fixar em Portugal onde, ao fim de 41 anos de impunidade, perdeu a liberdade.

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