Por: Redacção / VG | 18- 3- 2010 15: 45
O líder da Fenprof, Mário Nogueira, reafirmou esta quinta-feira que se o Governo insistir em matérias que não constam no
acordo assinado com os sindicatos, os professores voltarão a sair à rua em contestação, escreve a Lusa.
Professores:
ministério nega «traição»
«Ou o Governo retira tudo aquilo que meteu neste estatuto e não abordado em
negociação ou voltaremos para as escolas e trazemos os professores para a rua», declarou o secretário-geral da Federação
Nacional dos Professores.
Mário Nogueira considerou que o Governo actuou de «forma desonesta e não séria» para com
os sindicatos, introduzindo posteriormente alterações ao documento assinado entre as partes.
De acordo
com o dirigente da Fenprof, em momento algum foram discutidas alterações respeitantes ao artigo do Estatuto da Carreira Docente
que enquadrava a colocação de professores por concurso, permuta, destacamento, requisição ou comissão de serviço.
Mário
Nogueira criticou também o mecanismo do contrato individual de trabalho e outras questões relacionadas com a estabilidade
dos docentes. «Acabam com o quadro das escolas. O professor é contratado, entra no mapa de escola e não entra na carreira»,
afirmou.
De acordo com Mário Nogueira, só há uma forma de resolver o problema: «Tirar o que não foi negociado».
«Não
há possibilidade sequer de negociar aquilo, é a precariedade levada ao extremo», concluiu.
Retirar o «lixo»
Mário
Nogueira exigiu que o Governo retire o «lixo» que foi introduzido no diploma sem negociação e acusou a tutela de frustrar
as expectativas dos professores.
«Resolver o problema aqui não é negociar já coisa nenhuma, porque a negociação terminou.
É retirar o lixo que foi introduzido na carreira e não foi discutido nem negociado com ninguém», afirmou.
«O Ministério
da Educação quer mais precariedade, mais instabilidade, mais mão-de-obra barata nas escolas. O que está ali a dizer é que
o ministério quer continuar a desvalorizar a profissão de professor», criticou Mário Nogueira.
O líder da Fenprof
revelou ainda que os professores tinham criado expectativas em relação a esta equipa ministerial, que se revelam agora «frustradas».
FNE
aguarda resposta do Governo
A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) conta receber ainda esta quinta-feira
uma resposta do Governo, depois da recusa em ver contempladas em decreto-lei matérias que não assinou no acordo.
A
FNE não descarta a hipótese de vir a desencadear formas de luta, mas prefere acreditar que é possível vir a negociar outras
questões que não estão abrangidas pelo acordo de princípios assinado entre os sindicatos e o Ministério da Educação.
«Dissemos
que o que estava a decorrer era um processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente, no âmbito do acordo celebrado em Janeiro
e que fomos surpreendidos com um documento apresentado agora que continha matérias que nunca tinham sido tratadas relativamente
a concursos, quadros e mobilidade», afirmou o secretário-geral da FNE, João Dias da Silva.
«A nossa posição é que
a versão anunciada no dia 15 não deveria ser a base da continuação das negociações, mas sim as versões anteriores», sustentou
acrescentando que deveriam «encerrar o processo com base nas versões em que tínhamos estado a trabalhar até agora».
De
acordo com João Dias da Silva, o Ministério da Educação comprometeu-se a ponderar esta solicitação e a dar uma resposta até
ao final do dia.
«Não há razão nenhuma para que aquilo que foi a base do acordo não seja agora cumprido pelo Ministério
da Educação», concluiu.
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