Marcelo Rebelo de Sousa recordou, este domingo, os anos que passou a fazer comentário político na TVI, numa conversa bem-disposta com alguns dos pivots com quem interagiu desde 13 de maio de 2000, ano em que entrou para a TVI, revolucionando o comentário político em Portugal.
 
O Professor recordou episódios caricatos e divertidos que passou na TVI ao longo dos últimos anos. À memória veio a caixa que fez rir descontroladamente Júlio Magalhães, a caixa do leitão da Bairrada que lhe ofereceu e as caixas de bolachas que ofereceu a Judite de Sousa.
 
A memória começou a ser desfiada pelos tempos mais recentes e pela marcação cerrada que lhe tinha sido feita, nas últimas semanas, pelos jornalistas da TVI, acerca da sua candidatura à Presidência da República. Marcelo Rebelo de Sousa revelou a Judite de Sousa como essa insistência o incomodava.
 

“Às vezes irritava-me! Semana sim, semana não… irritava-me. Parecia obcecada pelas presidenciais e depois pegou ao José Alberto”, sublinhou.

 
Perante as declarações de Sérgio Figueiredo de que lamentava a saída da TVI do comentador que, domingo após domingo, quase sem interrupções, era implacável com os atores políticos nacionais, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou: “Não é só o Sérgio que tem pena de me ver partir. Eu tenho pena de partir.”.
 

Um telefonema tardio que transformou o “BCP” em “PCP”

 
Marcelo Rebelo de Sousa ficou conhecido entre os pivots, editores e diretores de informação que interagiram com ele ao longo dos anos pelos telefonemas tardios em que propunha temas para serem comentados no domingo seguinte. Um desses telefonemas visou José Carlos Castro e gerou um equívoco que nem em direto foi desfeito, mas que deixou o então comentador em maus lençóis.
 
O agora candidato à Presidência da República telefonou a José Carlos Castro manifestando interesse em comentar o “caso BCP”. A chamada foi para o atendedor de chamadas e o então pivot da TVI percebeu na gravação “caso PCP”.
 
O mal-entendido só foi percebido no ar pelo Professor que, mesmo assim, não se desfez. “Respirei fundo e pensei: E agora o que é que eu vou dizer sobre o PCP? Foram dois minutos sobre o PCP. Foram das observações mais curtas que eu fiz”, lembrou.
 

O comentário feito “do fundo do poço”

 
Na despedida a Marcelo Rebelo de Sousa, estiveram jornalistas que já não estão na TVI. Uma delas é Ana Sofia Vinhas que recordou com o Professor um momento inicial da carreira. Estava Ana Sofia a fazer o primeiro direto para televisão, em que teria de entrevistar Marcelo, e, antes de lhe responder, o Professor fez questão de lhe desejar sucesso na carreira à  de jornalista.
 
Mas Marcelo Rebelo de Sousa recordou ainda um comentário que fez com Ana Sofia Vinhas a partir dos estúdios de Faro. “O estúdio era muito apertadinho (…) e de repente cai o microfone e eu começo a falar no fundo do poço”, lembra.
 

“Então vai um patriota, a rastejar, rasteja primeiro por baixo dos pés da Ana Sofia, depois por baixo dos meus pés, e oferece-me o microfone”, recorda.

 
Ana Sofia Vinhas sublinhou também que a primeira coisa que Marcelo Rebelo de Sousa fazia era cumprimentar todos os colaboradores da TVI que estavam em estúdio.
 

“Aquele que envelheceu menos”

 
Depois de visionar alguns momentos com os pivots que o acompanharam nesta aventura jornalística e televisiva na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa não resistiu a um comentário sobre o seu… espírito jovem: “Já reparou que fui aquele que envelheceu menos?”.
 
“Não vamos desmentir essa perceção!”, comentou José Alberto de Carvalho.
 
Com João Maia Abreu, Marcelo Rebelo de Sousa recordou um direto que fez de Paris: “Colocaram-me de fora da janela, para se ver bem o Arco do Triunfo. Estava alguém a segurar-me as pernas para eu não cair. Eu não podia gesticular, porque senão caía.”
 

A caixa que arrancou gargalhadas a Júlio Magalhães e tirou uma espetadora da depressão

 
O reencontro entre antigo comentador e pivots serviu para explicar um dos episódios mais enigmáticos e mais marcantes da televisão portuguesa. Ficou finalmente esclarecido o ataque de riso que tomou conta de Júlio Magalhães, em pleno comentário com Marcelo Rebelo de Sousa.
 

“A Faculdade de Direito galardoou o Papa João Paulo II com uma medalha de ouro (…). A delegação partia no dia seguinte para a levar ao Papa (…) eu trouxe para aqui a caixa e entreguei à menina das relações públicas que a colocou não se sabe onde (depois descobrimo-la ali numa gaveta). Comecei a perguntar pela caixa, traziam-me caixas de sapatos, caixas de livros, caixas de vinhos… E eu dizia que não, que não era aquela caixa. (…) Ele começa a rir, contagia os câmaras, à volta tudo a rir.”

 
Júlio Magalhães tem uma versão ligeiramente diferente da história: “A perceção com que fiquei sempre até hoje foi que o Professor escondeu a medalha, para não a mostrar.”
 
O episódio acabou por provocar vários telefonemas de espetadores, muito deles indignados. Mas houve um que contrariou a tendência, como lembra Marcelo Rebelo de Sousa: “Uma espetadora que ligou a dizer “Muito obrigada, porque eu estava numa depressão profunda e vocês tiraram-me dessa depressão.”.
 
E não foi a única caixa com que Marcelo Rebelo de Sousa surpreendeu Júlio Magalhães. Não ficou esquecida a caixa com um leitão à Bairrada que foi impossível esconder e espalhou o cheiro por toda a redação. 
 

O pasteleiro e a torta gigante que Marcelo trouxe do Algarve

 
Marcelo Rebelo de Sousa criou o hábito de presentear os pivots e revelou, nesta conversa, que a determinada altura se gerou alguma competição. Este domingo, recordaram-se as bolachas que Marcelo ofereceu a Judite de Sousa.
 
A jornalista recordou a torta gigante e o pasteleiro que Marcelo Rebelo de Sousa trouxe do Algarve. “Não sei se se recorda, mas ocupou praticamente este espaço todo onde estamos! Lá veio o pasteleiro, com a sua torta gigante, que depois acabámos por distribuir pela redação”, lembrou.
 
O antigo comentador não quis esquecer Miguel Ganhão Pereira, um jornalista da TVI que já partiu e com quem iniciou este percurso de comentador: “Não está connosco, mas está lá em cima como se cá estivesse”.