Garante que não tinha gosto em ver um incêndio a deflagrar e que só o fez porque precisava de dinheiro e lhe pagaram para o fazer. A TVI24 entrevistou um homem que já foi condenado por atear um fogo. Não deu a cara, mas deu o seu testemunho de viva voz para a câmara televisiva. 

"Ateei através de uma dívida que eu tinha e queria ver-me safo dela o mais rápido possível, naquele tempo. Como tive a oferta que tive do meu ex-patrão: deixar aquilo a arder, a vela arder, e pôr-me a andar", começou por contar. 

Este incendiário explicou que o indivíduo que lhe pediu para atear o fogo "queria que destruíssem" um terreno cheio de "pinheiros bons" para ele comprar por um valor mais barato e depois fazer daquilo negócio.

Não tinha gosto em ver o fogo. Ele é que me disse que precisava de uma madeira. Por causa disso, a gente faz. Ele precisava da madeira, eu precisava do dinheiro"

O modus operandi foi, até, bastante simples. "Disseram-me para eu comprar umas velas de cera, deixar no sítio as velas a arder" e que dava para regressar a Coimbra "à vontade".

Cumpriu o prometido, ateou o fogo, mas acabou detido pelas autoridades. Esteve cerca de dois anos, segundo diz, a trabalhar numa cadeia.

Voltar a fazer o mesmo? "Nunca mais tal coisa me passou pela cabeça. Percebi que tinha sido um erro da minha parte, como da parte da pessoa para quem eu ia às vezes trabalhar".

A Polícia Judiciária recolheu 600 perfis sociopsicológicos de incendiários nos últimos anos, segundo a ministra da Justiça. Também esta sexta-feira o diretor da PJ, Almeida Rodrigues, revelou que não têm sido encontrados indícios que associem o fogo posto ao crime organizado. E advertiu para as características mais comuns dos incendiários em Portugal. 

No perfil do incendiário que temos traçado ao longo dos últimos 20 anos temos detetado diversas razões para o cometimento destes crimes desde vingança, alcoolismo e também algumas pessoas com fascínio pelo fogo. As profissões dos suspeitos também são variadas: madeireiros, bombeiros, desempregados, pastores, agricultores”

Pela segunda vez em quatro meses, os incêndios voltaram a matar em Portugal. O último domingo, 15 de outubro, foi o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades e morreram 43 pessoas. Sete dezenas ficaram feridas. A área ardida, vista de cima, através de imagens aéreas, mais parece de um país em guerra

Em junho, foi Pedrógão Grande e concelhos vizinhos. O fogo provocou 64 mortos e mais de 250 feridos.