O ministro da Saúdeesclareceu hoje que a falta da vacina BCG no mercado mundial não é o que está a condicionar qualquer decisão governamental de eventual retirada do Plano Nacional de Vacinação.

“Ou seja, se a decisão for tomada não é porque neste momento não há fornecimento da vacina a nível mundial. A Direção Geral de Saúde já conseguiu um pré compromisso para conseguir obter um conjunto de doses de vacinas. A nossa intenção é que as crianças sejam vacinadas e depois, independentemente desta falta a nível mundial das vacinas do BCG, então tomar a decisão"


Paulo Macedo referiu referiu que “neste momento apenas a Grécia, Portugal e a Irlanda mantêm a vacina do BCG, em termos da União Europeia”, cita a Lusa. E acrescentou:

“Queremos é desligar uma coisa da outra. A decisão a ser tomada, não será tomada porque há falta neste momento de fornecimento a nível mundial. Estamos num caminho melhor do que estávamos há 15 dias para a aquisição da vacina, vamos vacinar as crianças e depois tomar a decisão em termos de futuro”


A informação de que a Direção-geral da Saúde admite deixar de vacinar todos os bebés contra tuberculose foi referida na quinta-feira ao “Diário de Notícias” pela subdiretora-geral de Saúde, avançando que esta hipótese “vai ser avaliada já na próxima reunião”.

A OMS recomenda a vacinação apenas para grupos de risco em países onde a incidência é baixa. Até ao ano passado, Portugal era o único país da Europa que ainda estava acima do limite no número de casos de tuberculose, um limite traçado nos 20 casos por cada cem mil de habitantes. A DGS anunciou, no entanto, em abril, que pela primeira vez Portugal tinha baixado dessa fasquia.

Já a comissão de vacinas da Sociedade Portuguesa de Pediatria considera que uma posição definitiva sobre a administração universal da vacina BCG em Portugal só poderá ser tomada após o conhecimento de todos os dados epidemiológicos que a DGS tem vindo a recolher.

No entanto, em resposta enviada à Lusa, considera que “o risco de tuberculose para as crianças, em Portugal, é baixo e que os atrasos verificados na vacinação não colocam em risco a sua saúde”.

O ministro falava no final da cerimónia de assinatura de protocolos entre a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e 30 instituições de saúde, com vista à melhoria da formação clínica dos estudantes de Medicina. No âmbito desta sessão, Paulo Macedo distinguiu a FMUP com a Medalha de Serviços Distintos Grau Ouro do Ministério da Saúde.