A Madeira registou, nas últimas semanas, alguns avistamentos de tubarões nas suas águas, mas a responsável pela Estação de Biologia Marinha do Funchal, Mafalda Freitas, considerou que não existem «motivos para medo» por parte dos banhistas.

Em agosto, dois tubarões-martelo foram vistos perto de um dos complexos balneares do Funchal e mais tarde, um tubarão-caneja entrou numa piscina natural dos Reis Magos, no concelho de Santa Cruz. Mafalda Freitas disse à agência Lusa que estas espécies não costumam ser agressivas para os humanos, sendo o tubarão-caneja uma espécie «muito comum».

Segundo esta especialista, os avistamentos podem ter duas explicações. A primeira prende-se com «a temperatura da água do mar, que nesta altura tem estado mais quente», e a segunda com o facto de ser verão, o que pressupõe «ter mais olhos no mar».

A zona da Ponta do Pargo, extremo oeste da ilha da Madeira, é o local onde mais frequentemente se avistam tubarões, dado que é o ponto de passagem de migração para estas espécies.

«Os tubarões existem aqui desde a descoberta da Madeira, a maior parte das espécies que têm sido mais mediáticas, como a caneja, a tintureira, o tubarão-martelo», acrescentou Mafalda Freitas.

O tubarão mais comum de superfície na Madeira é a caneja (Mustelus mustelus) que pode atingir dois metros de comprimento, mas talvez o mais perigoso para o homem, nos mares regionais, seja o tubarão-martelo.

«Em todo o mundo existem 375 espécies de dimensões e formas variadas e, na Madeira, existem cerca de 75 espécies, que se alimentam de uma grande variedade de organismos, desde plâncton até mamíferos marinhos. Algumas destas espécies são migratórias, outras vivem mais perto da costa, mas, como a maior parte dos animais selvagens, têm muito medo do homem e a maior parte das vezes o que fazem é fugir», afirmou.

Mafalda Freitas lançou, entretanto, o apelo a quem avistar qualquer tipo de tubarão, no sentido de o reportar à Estação de Biologia Marinha do Funchal. No caso dos pescadores que recolham exemplares pequenos, pediu que os levem para a estação, para que possam ter os exemplares para estudo ou exposição.