O homem de 59 anos acusado de ter matado a namorada e escondido o corpo declarou-se inocente perante o tribunal de júri que o começou a julgar, esta quinta-feira, em Viana do Castelo e nada mais afirmou.

"Nego os factos que me são imputados. Estou inocente", disse o arguido durante a primeira sessão de julgamento, recusando, quando questionado pela juíza que preside ao coletivo.

“Quer explicar?”, perguntou a magistrada judicial, ao que respondeu: “Não”.


O homem, fiscal de obras, desempregado, natural de Alijó, chegou a tribunal acusado de um crime de homicídio qualificado, profanação de cadáver, furto qualificado e detenção de arma proibida.

Na tese do Ministério Público (MP), o arguido, detido em março de 2015 e desde então a aguardar julgamento em prisão preventiva, matou a namorada, entre 27 e 28 de agosto de 2012.

Desferiu-lhe, com um "objeto contundente", um golpe na coluna vertebral, provocando-lhe de forma "direta e necessária" a morte, segundo a acusação.

"Depois de se assegurar que estava morta e com o fito de não ser responsabilizado, escondeu o cadáver numa mata arbustiva situada no lugar de Paredes, freguesia de São Pedro de Arcos, no concelho de Ponte de Lima, local ermo e descampado, onde só casualmente viria a ser encontrado, a 04 de novembro de 2012", refere o MP.


Na altura dos factos o arguido e a namorada tinham residência em Torres Novas e teriam vindo passar uns dias ao Alto Minho, tendo ficado hospedados numa residencial em Ponte de Lima, concelho onde viria a ser encontrado o corpo da mulher, na altura com 32 anos de idade.

Quando foi detido, em março 2015, o homem encontrava-se em liberdade condicional à ordem de outro processo onde foi condenado a pena de prisão por tentativa de homicídio de uma filha de uma anterior companheira.

Hoje, no início do julgamento o tribunal de júri, realizado a pedido do Ministério Público (MP) ouviu os testemunhos dos responsáveis pelos relatórios periciais realizados ao arguido.

Através de videoconferência, o médico psiquiatra que entrevistou o arguido em junho de 2015, classificou-o como "um psicopata explosivo", considerando que "a sua perturbação de personalizada que não permite prever quando vai acontecer um novo episódio violento" mas que garantiu que "é iminente".

"Tem acessos de cólera e fúria quando é contrariado na sua vontade ou desejos", sustentou perante o tribunal, adiantando que aquelas reações "são desproporcionais e desajustadas ao motivo que as despoleta".

"Manifesta frieza e distanciamento para com as vítimas e não consegue desenvolver relações de afeto duradouras, são saltitantes", frisou.


A desculpabilização do comportamento foi outras das características que o clínico apontou ao arguido que "se dizia vítima de perseguição por parte de um inspetor da Polícia Judiciária que há viva força o queria condenar".

A psicóloga da Polícia Judiciária que avaliou o arguido afirmou possuir um "grau de inteligência médio" e "ter noção dos factos", considerando ser uma pessoa "altamente agressiva, sem empatia pelas vítimas, possessivo e manipulador com as companheiras que chantageava ameaçando colocar fotografias na internet se não fizessem o que ele queria"

"Tem habilidade especial para manipular e esconder a ser belo prazer e favor", afirmou a especialista garantindo que "há perigo de repetição de atos semelhantes".

"Há grandes probabilidades de novos comportamentos com níveis de agressividade elevados", afirmou ao tribunal.

O primeiro testemunho desta sessão foi o da médica que colaborou na autópsia afirmando "não ter sido possível aferir a causa da morte" admitindo até que a morte poderia ter ocorrido por "causas naturais".

"Dado o avançado estado de decomposição do cadáver não foi possível identificar a causa da morte nem determinar se as lesões que o corpo apresentava foram provocadas antes, ou depois da morte", referiu.