O fundador da extinta fábrica Califa está na ser julgado no Tribunal de Santa Maria da Feira, em mais um processo por dívidas ao Fisco e à Segurança Social, no valor de cerca de 760 mil euros.

Joaquim Teixeira da Silva, de 74 anos, tem várias condenações por crimes tributários, estando atualmente a cumprir uma pena no Estabelecimento Prisional do Porto.

O empresário, conhecido como o "rei das camisas", regressa agora a tribunal para responder por mais um crime de abuso de confiança fiscal continuado e um crime de abuso de confiança continuado contra a Segurança Social.

A empresa Artlabel, que adquiriu a Califa após a insolvência da empresa têxtil, em 2008, também está a ser julgada no mesmo processo, pelos mesmos crimes.

Em causa está a retenção ilícita, durante vários meses, entre 2011 e 2012, de cerca de 440 mil euros em impostos de IVA e IRS.

No caso da Segurança Social, foi detetado que o arguido não entregou os montantes retidos dos salários pagos aos seus trabalhadores e pensionistas em atividade, de julho de 2010 a abril de 2012, no valor de 322 mil euros.

Segundo o Ministério Público (MP), o arguido utilizou estes montantes em proveito da empresa e utilizando-os para efetuar compras e pagamentos a fornecedores e satisfazer outros compromissos relacionados com a sua atividade.

«O arguido foi repetindo a sua conduta enquanto foi conseguindo apoderar-se das quantias pertencentes ao Estado, servindo-se dos mesmos métodos que sucessiva e repetidamente se foram revelando aptos para atingir os seus fins sempre num cenário de oportunidade com que se ia confrontando no exercício da administração da sociedade arguida», lê-se na acusação do MP que a Lusa teve acesso. 


Em outros processos, a defesa de Joaquim Teixeira da Silva tem alegado que o arguido não era responsável pelos atos de gestão da empresa desde 2009 e só dava o nome à administração, uma tese que não tem convencido os juízes.

Em 2014, Joaquim Teixeira da Silva foi condenado a 18 meses de prisão domiciliária em outro processo por crime de abuso de confiança contra o Fisco e Segurança Social, tendo ficado provado que «era efetivamente o arguido que exercia a gestão da empresa».

«Ele próprio assumia-se como o único administrador da empresa», disse, então, a juíza presidente, acrescentando que o arguido também «não estava numa posição de alienado como declararam algumas testemunhas».