O Tribunal Judicial de Braga profere a 29 de fevereiro a sentença de dois homens, pai e filho, acusados de homicídio qualificado na forma tentada, por agressões à paulada a um vizinho, em 2013, em Terras de Bouro.

De acordo com a acusação do Ministério Público, a que a Lusa teve acesso, os arguidos e a vítima mantinham há algum tempo um conflito por causa do regadio dos campos de cultivo, um conflito terá subido de tom a 5 de junho de 2013, com uma discussão pública.

Entretanto, uns dias antes, a mulher do arguido mais velho “fez constar” que a vítima a teria tentado violar, o que, sublinha a acusação, “enfureceu os arguidos e fez despoletar a sua fúria”.

A 6 de julho, quando estava a apascentar o gado num local isolado, num baldio em Chamoim, a vítima foi atacada pelos dois arguidos, que o agrediram “de forma reiterada à paulada”, atingindo-a na cabeça, no tórax, no abdómen e nos braços e pernas.

“Acordaram tirar-lhe a vida”, refere a acusação.

A vítima caiu ao chão, “pela violência dos golpes e pelo sangue perdido”, mas os arguidos “continuaram” a agredi-la, até que ela perdeu os sentidos.

Nessa altura, empurraram a vítima “a pontapé” até uma ribanceira, onde a projetaram num silvado, “convencidos” de que ali morreria, e abandonaram o local.

A vítima foi encontrada “por circunstâncias fortuitas e imprevisíveis” pelo filho e por outro homem que ali se dirigiram para tratar de um negócio de lenha.

Foi uma cadela que os “conduziu” até ao local onde o ofendido se encontrava “desfalecido”.

Consequência das agressões, o homem teve de efetuar três cirurgias e esteve 391 dias de doença.

Entretanto, morreu em fevereiro de 2015, mas de morte natural, sem que se tivesse estabelecido qualquer relação com as agressões.

O arguido filho, de 31 anos, é bombeiro nos Voluntários de Terras de Bouro.

Em julgamento, e segundo fonte ligada ao processo, este arguido alegou que agiu em legítima defesa, para defender o pai das supostas agressões que a vítima lhe estaria a infligir.