O Tribunal da Relação (TR) de Guimarães confirmou a condenação a oito anos de prisão de um homem de 65 anos acusado de ter tentado matar a tiro a companheira e a enteada, em dezembro de 2012, em Fragoso, Barcelos.

No Tribunal de Barcelos, o arguido já tinha sido condenado a oito anos de prisão, por dois crimes de homicídio na forma tentada e um de detenção de arma proibida, mas recorreu, pedindo a absolvição, por alegada falta de provas.

Na pior das hipóteses, admitia ser condenado por homicídio privilegiado em pena não superior a dois anos e dois meses de prisão e suspensa na sua execução.

No entanto, a Relação, por acórdão a que a Lusa teve acesso esta sexta-feira, confirmou a decisão da primeira instância.

Segundo o tribunal, o arguido teve intenção de matar tanto a companheira como a enteada, tendo mesmo efetuado um disparo que atingiu a última num ombro.

Tendo ainda como alvo a enteada, de 20 anos, o arguido premiu o gatilho mais duas vezes, com «grande probabilidade» de a matar ou de lhe causar lesões irreversíveis, mas a arma encravou.

A companheira também teve a arma apontada a si, tendo igualmente o arguido premido o gatilho, mas uma vez mais valeu o facto de a arma não ter disparado.

Segundo os factos dados como provados pelo tribunal, o arguido viveu maritalmente durante cerca de 20 anos com aquela companheira, sua antiga empregada de limpeza e 21 anos mais nova.

Após 17 anos de vida em comum, o arguido sofreu um acidente vascular cerebral e desde então «acentuaram-se os problemas de relacionamento conjugal e familiar», com queixas mútuas, e que levaram a companheira a abandonar o lar.

Cerca de um mês e meio antes dos factos, e apesar de algumas crises conjugais, o casal reatou a união marital.

No dia dos factos, a companheira foi almoçar a casa de uma filha do seu primeiro casamento, onde o arguido também se deslocou, armado.

Saltou o muro da habitação, abriu a porta e, após uma discussão, tentou matar companheira e enteada.