O homem acusado de ter matado o irmão e a cunhada, na Mata Mourisca, disse esta sexta-feira ao Tribunal de Pombal que não sabia quem eram as vítimas, quando disparou, e não se lembra da forma como atirou sobre a mulher.

O homem, 54 anos, está acusado de dois crimes de homicídio qualificado e um de posse de arma ilegal, por ter matado o irmão e a cunhada, em setembro de 2013, na sequência de uma discussão devido à limpeza de um terreno.

Inicialmente, o arguido recusou prestar declarações, mas, por aconselhamento do seu advogado, acabou por contar ao coletivo de juízes o que se passou naquela noite.

O arguido adiantou que se encontrava sentado na cozinha a jantar, quando ouviu barulho. «Pensei que me iam assaltar, porque já tinham tentado. Levantei-me e fui ao quarto buscar a espingarda e disparei», revelou, garantindo que não sabia que era o irmão no momento do disparo.

O homem não conseguiu explicar depois como matou a cunhada. «Não me lembro de mais nada», disse insistentemente.

Apesar de ser sido várias vezes questionado sobre o facto de não reconhecer as vítimas, o arguido negou sempre que soubesse quem eram. «Só disparei. Vi que estava ali um crime feio e fui entregar-me à GNR de bicicleta», referiu ainda.

O arguido confessou ainda que tinha bebido durante o dia, sendo que a juíza presidente anunciou que nos autos consta um teste de alcoolemia que o suspeito realizou imediatamente a seguir aos factos, que acusou uma taxa de 1,12 gramas/litro de álcool no sangue.

Um dos inspetores da Polícia Judiciária do Centro disse também que o arguido lhe pareceu uma pessoa com «completo desvalor pela vida humana, preocupado apenas com bens materiais».

Segundo o despacho de acusação, no dia 5 de setembro de 2012, em Mata Mourisca, naquele concelho, entre as 19:00 e as 20:00, as vítimas dirigiram-se a casa do arguido, onde o questionaram sobre a «limpeza de um terreno agrícola para plantação de eucaliptos« que as «impedia de aceder à sua propriedade».

Na ocasião, na cozinha da habitação, gerou-se uma «breve discussão» entre o arguido e o irmão, tendo aquele se deslocado ao quarto, onde «guardava uma espingarda semiautomática» municiada.

O Ministério Público (MP) relata que o acusado, que não era titular de licença válida de uso e porte de arma, regressou à cozinha e avisou «os ofendidos para abandonarem a residência», mas o seu irmão persistiu na conversa, pelo que o atingiu com um disparo.

Segundo o documento, nesse momento, a mulher da vítima fugiu para o exterior da casa com o arguido no seu encalço, que disparou, por duas vezes, na direção desta, atingindo-a nas costas.

«Em todas as circunstâncias, atuou o arguido de forma livre, voluntária e consciente, com a intenção concretizada de tirar a vida aos ofendidos, seu irmão e cunhada, por uma mera questão de limpeza de um terreno», adianta o MP, acusando-o de revelar «um claro desvalor pela vida humana» e de atuar «por motivo fútil».

Ao arguido, que se encontra detido preventivamente, o MP imputa dois crimes de homicídio qualificado e um outro de detenção de arma proibida, incorrendo na pena máxima de 25 anos de prisão.

O julgamento prossegue esta tarde.