Um homem de 56 anos, que está acusado da tentativa de homicídio do presidente da associação para a qual trabalhava, confessou esta quarta-feira o crime no Tribunal de Alenquer, mas negou a intenção de o matar, querendo apenas intimidá-lo.

«Estou arrependidíssimo, hoje não o faria», afirmou o vigia do Campo de Tiro de Abrigada perante o coletivo de juízes, adiantando que, apesar de estar munido de uma arma de fogo, «não queria matar» o presidente da associação de caçadores daquela freguesia, mas apenas intimidá-lo para que não tentasse reagir e ser violento consigo.

Segundo a acusação, a que a Lusa teve acesso, o arguido decidiu vingar-se do ofendido tendo-lhe telefonado e marcado um encontro em abril deste ano no campo de tiro, onde quis atingir a vítima com uma pancada na cara com o cano da espingarda e com dois tiros de uma arma de fogo, sem o conseguir, dizendo-lhe «eu mato-te, ajoelha-te, mete as mãos para cima», ao que a vítima obedeceu.

Confrontado pelos juízes, o arguido confessou parcialmente os factos, negando contudo que tivesse a intenção de o matar e que lhe tenha apontado a arma ao seu corpo.

Ainda de acordo com a acusação, o arguido empunhou ainda uma faca, mas este não confessou esse comportamento em tribunal.

O homem explicou ainda que nem a faca, encontrada posteriormente na sua viatura de serviço, nem a arma eram suas, justificando que a primeira era usada nas suas tarefas para «acabar de matar javalis» e que a arma teria sido deixada por elementos da direção da associação dentro do veículo, negando qualquer intenção de ter ido buscar a arma e munições para o encontro.

O dirigente associativo veio depois a fugir, escondendo-se numa zona de mato e pedindo auxílio a um amigo que, por sua vez, alertou a GNR.

Hoje em tribunal, o ofendido explicou que, devido a dificuldades financeiras da associação e ao incumprimento de tarefas pelo funcionário, sugeriu em assemleia-geral à futura direção o seu despedimento, não havendo por isso uma decisão nesse sentido.

Após investigação, e na ausência de testemunhas e de detenção em flagrante delito, o vigia foi apontado como principal suspeito e presente a tribunal quase um mês depois, tendo ficado a aguardar julgamento em prisão preventiva.

A medida de coação foi alterada no mês passado, para prisão domiciliária sob vigilância eletrónica, depois de o homem ter prestado novas declarações ao juiz de instrução criminal.

O funcionário da associação está acusado de um crime de homicídio na forma tentada, um crime de coação agravada e outro de detenção de arma proibida.

Nas buscas domiciliárias, a Polícia Judiciária apreendeu 75 munições, quatro cartuchos e a faca, enquanto a arma de fogo foi entregue à PJ pelo seu advogado também no mês passado.

O julgamento prossegue esta tarde, com a audição de seis testemunhas.