Um grupo de 25 pessoas, entre as quais um agente da PSP, começou esta terça-feira a ser julgado por 28 assaltos a autarquias, empresas e casas, em vários concelhos do distrito do Porto, e recetação de material furtado.

Na primeira audiência de julgamento, realizada no Tribunal São João Novo, no Porto, apenas dois dos 25 arguidos - acusados pelos crimes de furto qualificado e recetação - decidiram falar, tendo negado os factos.

Os alegados assaltantes, com idades entre os 21 e 48 anos, quatro dos quais em prisão preventiva, terão furtado diverso material de casas, empresas, bombas de combustível, armazéns, autarquias, postos de transformação EDP, lojas comerciais e viaturas, entre 2013 e 2014, nos concelhos de Valongo, Gondomar, Maia, Santo Tirso e Trofa, no distrito do Porto, causando mais de 280 mil de prejuízos.

Um dos suspeitos, acusado de um furto a uma empresa de venda de material eletrónico, em Valongo, afirmou nunca ter lá estado.

“Nunca fui a essa fábrica, além disso, só conheço uma pessoa das que aqui estão hoje a quem comprei quatro telemóveis e dois `tablets´ para oferecer à família”, disse.

O arguido frisou ter comprado esses equipamentos a 40 euros cada, mas como dois deles estavam “meios avariados” decidiu vendê-los através da internet, nunca suspeitando que fossem furtados.

Por seu lado, o agente da PSP, que responde por um crime de recetação, realçou que comprou um elevador grua a um dos arguidos, seu conhecido há alguns anos, mas “nunca” suspeitou que fosse furtado.

“O meu amigo disse-me que o cunhado, que estava na França, tinha um elevador grua para vender e eu, tendo uma oficina de mecânica, fiquei interessado e fui ver, acabando por o comprar por 150 euros”, sustentou.

O suspeito adiantou que só um ano após a compra é que descobriu que era furtado e, depois de falar como o amigo, este garantiu-lhe que não era roubado.

Segundo a acusação, a que a Lusa teve acesso, os alegados autores dos crimes agiram de forma “livre, voluntária e consciente, conjuntamente e em comunhão de esforços, na sequência de um plano previamente delineado com o propósito concretizado de fazerem sua coisa de outrem, bem sabendo que atuavam sem autorização e contra vontade do seu proprietário”.

Um dos “alvos” dos presumíveis assaltantes foram as tampas metálicas do Museu e Arquivo da Câmara de Valongo, com 100 quilos cada, no valor de 15 mil euros.

Além disso, os suspeitos assaltaram, por quatro vezes, uma empresa de venda de telemóveis e `tablets´, em Alfena, Valongo, furtando mais de 100 mil euros em equipamentos.

Outra das situações descritas na acusação é um assalto à máquina da estação de metro Fonte do Cuco, em Matosinhos, para retirar o dinheiro do seu interior, mas não conseguiram, causando prejuízos de 540 euros.