A septuagenária suspeita de gerir «um banco caseiro» em Matosinhos, acusada de 11 crimes de usura e fraude fiscal, e o seu filho, acusado de branqueamento de capital, optaram hoje por não prestar quaisquer declarações no início no julgamento.

No julgamento, que hoje arrancou no Tribunal de Matosinhos, os dois arguidos recusaram prestar quaisquer declarações enquanto as várias testemunhas ouvidas descreveram detalhadamente o «negócio».

A mulher, de 71 anos e reformada, é acusada de emprestar dinheiro, cobrando depois juros excessivos que chegavam aos 40%.

Uma das testemunhas afirmou que a arguida lhe emprestou dinheiro «exigindo uma quantidade exagerada de juros». Para além disso, «pedia sempre uma garantia de pagamento, geralmente feita em ouro ou em letras».

O caso foi investigado na sequência de uma denúncia de um dos supostos devedores, dando origem a buscas a casa da arguida, onde foram apreendidos 4,5 quilos de peças em ouro, mais de 25 mil euros em dinheiro, quadros, cheques, extratos bancários que eventualmente estariam relacionados com as atividades da septuagenária.

A acusação afirma agora que a visada liderava um negócio de empréstimos ilegais de dinheiro a várias pessoas em troca de garantias patrimoniais, nomeadamente ouro e letras.

O crime de usura é punível com uma pena que poderá ir até aos dois anos de prisão e multa até 240 dias.