A educadora de infância de uma creche de Massamá, Sintra, acusada de provocar queimaduras numa bebé de 13 meses, em novembro de 2011, admitiu hoje em tribunal que se tratou de «um acidente», porque a menina lhe escorregou do braço.

A arguida, de 29 anos, está acusada de um crime de ofensa à integridade física negligente por atingir uma bebé com água a 60 graus.

Hoje, na primeira sessão do julgamento, a educadora de infância contou que, a 04 de novembro de 2011, decidiu lavar a menina porque tinha ficado com a fralda muito suja.

«Não sabia a temperatura do termoacumulador», afirmou a educadora, explicando que tinha a noção de a água sair «muito quente», mas que desconhecia a regulação do equipamento para 60 graus.

A arguida disse que tentou lavar a roupa suja, com a bebé presa por um braço sobre a banheira encastrada num móvel, quando esta escorregou e caiu de costas sobre a água quente a correr.

A bebé ficou «uns segundos» em contacto com a água quente, alegou, e depois envolveu-a em toalhas molhadas. Só mais tarde, quando se formaram «bolhas» na pele das nádegas e parte das costas da bebé, alertou uma colega e, posteriormente, os pais.

O infantário em Massamá não possuía cremes para prestar os primeiros socorros a queimaduras e foram os pais da menina, enfermeiros de profissão, que mais tarde fizeram uma primeira limpeza da ferida antes do transporte para a unidade de queimados do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa.

A educadora, que entretanto se despediu do infantário, manteve a sua versão, apesar das dúvidas do procurador da República sobre os motivos que a levaram a querer lavar a roupa da bebé antes de cuidar da temperatura elevada da água.

«Estava sozinha com uma bebé, tentei ser o mais prática possível», argumentou a arguida, reconhecendo que, embora pretendesse assegurar o bem-estar da menina, «se calhar não devia ter feito assim».

O advogado dos pais da criança, que se constituíram como assistentes no processo, contrapôs que a extensão das queimaduras, de 2º grau, no dorso e nas nádegas, em cerca de 10% da extensão corporal, «não acontecia em segundos» de contacto com a água quente.

A arguida manteve que a bebé apenas escorregou e que os responsáveis do infantário não a informaram sobre a temperatura do termoacumulador.

No decurso da audiência, a advogada de defesa revelou que tentou imputar ao infantário a sua parte de responsabilidade no acidente e a juíza confirmou que essa possibilidade acabou afastada no decurso do processo.

«Da parte do colégio nunca houve uma explicação para nada», disse, por seu lado, a mãe da bebé em resposta à advogada.

«Para nós foi um pesadelo, um terramoto», confessou a enfermeira, quando lhe pediram para descrever o que sentiu pelo que aconteceu à filha.

A menina esteve internada 17 dias e em tratamento mais de um ano, mas ficará «marcada para sempre», notou a mãe.

Nas próximas audiências, o tribunal vai ouvir mais testemunhas e uma perita arrolada pelo Ministério Público.

Os pais reclamam da arguida uma indemnização cível de 30 mil euros e mil euros à companhia de seguros do infantário.