O luso-americano Allan Sharif remeteu-se hoje ao silêncio no início do julgamento de um caso em que é acusado da alegada prática de um crime de corrupção ativa e de outro de burla qualificada, praticados na cadeia da Guarda.

Com Allan Shariff, de 33 anos, sentam-se no banco dos réus mais quatro arguidos, três que na altura dos factos eram reclusos no Estabelecimento Prisional da Guarda e um enfermeiro, todos acusados da prática de crimes de corrupção e burla qualificada.

Um dos arguidos não marcou hoje presença na sala de audiências, por estar ausente no estrangeiro, em trabalho, mas o tribunal decidiu iniciar o julgamento.

O processo também incluía outro indivíduo que o tribunal não conseguiu localizar, daí que o coletivo de juízes do Tribunal da Guarda tenha decidido separar o processo para evitar o «prolongamento excessivo» do julgamento dos outros arguidos e para que «não ocorra o prolongamento da prisão preventiva do arguido Allan Shariff».

No início da sessão, o luso-americano ouviu a leitura dos factos contantes da acusação, mas não prestou declarações, tal como os outros arguidos presentes - o antigo enfermeiro da cadeia da Guarda, agora aposentado, e um recluso de Oliveira do Hospital, que está preso desde novembro de 2005.

Segundo a acusação, o caso ocorreu em 2008, quando Allan Sharif se encontrava preso preventivamente, e envolveu mais três reclusos e o enfermeiro numa estratégia que permitiu a alegada utilização de telemóveis e a introdução de elevadas quantias em dinheiro na prisão.

A acusação também refere que os reclusos montaram um «esquema» em que, por telemóvel, mediante «a falsa promessa de concretização de um negócio imobiliário», convenceram duas mulheres de uma imobiliária do Algarve a efetuarem transferências de dinheiro no valor de 5.900 euros.

O processo indica que o principal suspeito, o luso-americano, telefonou à funcionária da imobiliária «a dizer que para desbloquear a verba da América [para comprar casas] precisava de dinheiro para o processo», tendo indicado as contas bancárias do enfermeiro, de um restaurante e de um dos envolvidos no estratagema (o arguido que não foi localizado pelo Tribunal).

O «esquema» foi detetado após uma briga, na cela, entre Allan Sharif e um dos reclusos e agora arguido, ocorrida na noite do dia 24 de setembro de 2008.

Foi nessa ocasião que os guardas prisionais detetaram um telemóvel no bar dos reclusos, no interior de um saco de café, dois carregadores e uma bateria na cela do luso-americano.

Um guarda prisional ouvido como testemunha contou que um carregador estava «dentro de um pacote de leite» e que «dentro de um pão, nos pertences do senhor Allan Sharif», estava um canivete.

No seguimento das investigações, no dia 31 de janeiro deste ano, o luso-americano, que aguardava em liberdade o trânsito em julgado de dois acórdãos, foi detido pela Polícia Judiciária da Guarda e ficou em prisão preventiva.