Testemunhas afirmaram hoje no Tribunal de Coimbra que o antigo presidente de uma junta de freguesia de Penela acusado de tentativa de homicídio da sua companheira tinha ciúmes da vítima.

O antigo presidente de uma junta de freguesia do concelho de Penela, com 95 anos, é acusado de tentativa de homicídio da sua companheira e da mãe desta a 13 de janeiro de 2013, e começou hoje a ser julgado no Tribunal de Coimbra, não tendo comparecido à primeira sessão.

Durante a audiência, a filha da companheira do arguido sublinhou que ele "tinha muitos ciúmes" da mulher, desconfiando que esta teria relações com um dos vizinhos.

Um vizinho afirmou também em Tribunal que "havia desavenças" entre o casal, mas que o arguido "era bem visto na terra".

A vítima, ouvida hoje, começou por dizer que o acusado nunca lhe tinha dito que tinha ciúmes. No entanto, tinha comportamentos que poderiam levar a essa interpretação.

A mãe da vítima salientou que a sua filha se "queixava" e que o arguido "andava sempre a provocá-la e a tratá-la mal".

Perante o coletivo, a companheira do acusado de dois crimes de tentativa de homicídio confirmou quase a totalidade do despacho de acusação do Ministério Público.

Segundo o despacho, os alegados crimes terão ocorrido após uma discussão.

O arguido terá ido buscar uma espingarda caçadeira semiautomática ao andar inferior da habitação onde vivia com a mulher há cerca de seis anos, tendo disparado contra a mãe e contra a companheira, que se encontravam no quarto da casa.

O Ministério Público, durante as alegações finais, pediu a "pena adequada" para o acusado, "tendo em conta a idade e a situação em que o arguido se encontra".

Já o advogado que representa a mãe da companheira sublinhou que "este homicídio enquadra-se no puro tipo de macho latino".

"Só não matou porque não calhou", disse o representante da companheira do arguido.

O advogado de defesa recordou que o acusado era um "caçador experiente" e que quando disparou contra a porta do quarto da casa, que causou ferimentos graves na mãe da sua companheira, não saberia que esta estaria atrás da porta.

O advogado questiona ainda a real intenção do arguido de tentar matar, visto que o tiro destinado à sua companheira foi disparado a menos de dois metros da vítima, atingindo-a no ombro.

O Ministério Público (MP) acusa o arguido de um crime de detenção de arma proibida, de um crime de detenção de munições proibidas e de dois crimes de homicídio qualificado na forma tentada, no concelho de Penela, distrito de Coimbra.

As duas vítimas pedem, cada uma, 30 mil euros de indemnização por danos não patrimoniais.

O arguido cumpriu quatro mandatos à frente de uma junta de freguesia de Penela.

A leitura da sentença ficou marcada para 17 de dezembro.