O julgamento de dois suinicultores detidos durante um corte de Estrada no IC2, marcado para segunda-feira, foi dado sem efeito pelo Tribunal de Alcobaça, que determinou que o processo baixe a inquérito.

“O julgamento foi dado sem efeito e o processo baixa a inquérito”, disse hoje à agência Lusa fonte do Tribunal de Alcobaça, onde os dois suinicultores, detidos a 19 abril, deveriam começar a ser julgados na segunda-feira, em processo sumário.

Valentim Morgado, advogado dos arguidos (acusados dos crimes de injúria agravada, resistência e coação), explicou à agência Lusa que “foram requeridas pela defesa diligências de prova incompatíveis com este prazo”, facto que deverá ter levado o tribunal a determinar que o processo baixasse a inquérito.

Além das testemunhas arroladas, a defesa pediu “o visionamento de imagens” dos confrontos entre os manifestantes e a GNR, entre outras diligências que serão avaliadas pelo tribunal

Após o inquérito, o Ministério Público decidirá se haverá ou não lugar à dedução de acusação e, se assim for, os dois suinicultores serão então julgados, mas em processo comum e não em processo sumário como estava previsto.

Dinis do Carmo, de 25 anos, e Luís Rodrigues, de 51, foram detidos a 19 de abril durante um corte de estrada ao quilómetro 92 do IC2 (itinerário complementar 2), próximo da localidade de Casal da Charneca, em Évora de Alcobaça.

Os suinicultores protestavam contra a importação de carne espanhola que tem agravado a crise do setor, numa manifestação que movimentou mais de uma centena de agricultores e durou cerca de 12 horas, com uma concentração junto à empresa Nobre, em Rio Maior (distrito de Santarém) e dois cortes de estrada no IC2, no concelho de Alcobaça (distrito de Leiria).

Os protestos terminaram em confrontos com a GNR e a detenção dos dois arguidos, um dos quais foi vítima de ferimentos e teve que receber assistência hospitalar.