Por: tvi24 / PP | 2- 2- 2012 19: 13
O Ministério Público (MP) pediu esta quinta-feira uma pena de prisão de 10 a 12 anos para um agente da PSP acusado do homicídio
do cunhado em Alenquer, enquanto a defesa requereu a absolvição.
O arguido foi condenado em 2010 a uma pena suspensa
de dois anos e 10 meses, por ofensa à integridade física e ocultação do cadáver, encontrado na Serra de Montejunto dentro
de um carro incendiado, em Novembro de 2008. O MP recorreu da decisão e o Tribunal da Relação de Évora decidiu repetir o julgamento,
por terem existido «vícios de interpretação», e alterou a qualificação jurídica do crime para homicídio simples.
Como
no primeiro julgamento, Mário Ferreira, 30 anos, confessou hoje, no Tribunal do Cartaxo, que em 2008 matou o cunhado, mas
por acidente, quando tentava intervir numa cena de violência doméstica na casa da irmã e do cunhado.
O arguido disse
que se envolveu numa luta com a vítima, no interior e no exterior da casa, e que depois de o empurrar este bateu com a cabeça
numa pedra do jardim, acabando por morrer.
O MP defende antes a tese de premeditação. Para o magistrado do MP responsável
pelo processo, não restam dúvidas de que o agente da PSP matou o cunhado de forma «intencional» e que, por isso, «deve ser
condenado» pelo crime de homicídio simples: «Uma pena de 10 a 12 anos será justa».
O MP acusa o polícia de ter premeditado
o crime com a ajuda da sua irmã, Célia Ferreira, condenada também em 2010 a uma pena suspensa de um ano e seis meses, por
ocultação de cadáver.
Por seu lado, o advogado de defesa considerou que Mário Ferreira deve ser «absolvido» do crime
de homicídio simples e acrescentou que, que se o colectivo de juízes tomar a mesma decisão que saiu do primeiro julgamento,
o arguido «aceitará».
O crime ocorreu na noite de 17 de Novembro de 2008. No decorrer do julgamento, o agente afirmou
que foi à casa onde residia a irmã e o cunhado, em Vale Ceisseiro, Alenquer, depois de a mãe o ter avisado por telemóvel de
que o casal estava a discutir.
Quando chegou ao local, explicou Mário Ferreira, o cunhado «estava a agredir a murro
e a pontapé a irmã». O arguido disse que tentou intervir, acabando por se envolver numa luta com Luís Fernandes, 36 anos,
que acabaria por morrer depois de «ter batido com a cabeça no passadiço de pedra e cimento do jardim».
De seguida,
defendeu o seu advogado, o arguido «entrou em pânico» e tomou uma decisão «profundamente infeliz»: colocou o cadáver na bagageira
do carro da vítima, seguiu de Alcoentre até Furadouro, na Serra do Montejunto, incendiou a viatura e empurrou-a por uma ravina
com o corpo no lugar do condutor para simular um acidente.
O presidente do colectivo de juízes marcou a leitura do
acórdão para dia 27 de Fevereiro, às 10:30, no Tribunal do Cartaxo.
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