A Comissão de Utentes dos Transportes Públicos do Porto entregou esta quinta-feira nos Serviços Administrativos dos Transportes Intermodais um abaixo-assinado de protesto contra os serviços "Pagaqui" que reuniu cerca de quatro mil assinaturas.

“Vimos por este meio realizar este abaixo-assinado para contestar os serviços prestados por outra empresa no mercado, que consideramos ineficaz [face] às necessidades da população utente dos transportes, quer a nível técnico e mesmo de ética empresarial”, pode ler-se no documento entregue hoje junto dos Transportes Intermodais do Porto (TIP).

Desde 6 de junho, a compra ou carregamento de títulos de viagens para o metro, autocarros e comboios urbanos do Porto, fora das lojas Andante e máquinas automáticas, deixou de ser feito nos agentes 'Payshop', serviço assegurado pelos CTT, e passou a ser realizado apenas na rede 'Pagaqui', empresa que venceu o concurso público.

A ideia de criar um abaixo-assinado de protesto contra a nova rede de pagamento de títulos de viagem "Pagaqui" partiu dos agentes "Payshop" da cidade que, desde 1 de junho, fizeram circular o documento junto dos utentes, explicou Agostinho Silva, da papelaria O Caderno, em Custóias.

“Avançamos com o abaixo-assinado até por solicitação de alguns utentes que não conseguiam carregar o passe em tempo útil”, acrescentou.

Da parte dos utentes presentes esta quinta-feira no momento da entrega do documento, o sentimento é de “muita revolta” porque as novas máquinas não só “não funcionam”, mas também “ficam com os cartões e o dinheiro”, obrigando a deslocações demoradas às lojas Andante.

Mónica Ramos e Júlia Santos são duas utentes que dizem ter sido já prejudicadas pelo novo sistema que, como observam, “não está em todo o lado”, ao contrário dos agentes ‘Payshop’.

“Já tenho pagado 17 euros de táxi por causa dos problemas das máquinas”, contou à Lusa a utente Maria dos Prazeres para quem os serviços “têm que estar ao pé das pessoas”.

Sara Barros, porta-voz da comissão de utentes, relatou mesmo que às 07:30 da manhã, hora a que tem que se deslocar para o trabalho, “não há nenhum agente disponível para carregar” o título de transporte.

Também presente na entrega do documento esteve Sandra Monteiro, agente 'Payshop' de Campanhã que considera ser “ridículo uma nova empresa ganhar o concurso e obrigar as lojas a aceitarem o novo serviço por metade do valor”.

Para a responsável, os agentes "Payshop" recebem 1% de cada operação mas a "Pagaqui" oferece apenas 0,5%, o que, afirmou, “é uma afronta”.

Contactada pela Lusa, a TIP informou que, com 700 pontos de carregamento, a rede Pagaqui "já tem mais agentes do que a Payshop", sendo uma estrutura dinâmica que "vai ter mais agentes ainda".