Os trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP) dizem que a empresa está com um défice de 140 motoristas, para as escalas de inverno, o que faz com que, diariamente, a empresa não realize mais de 500 viagens. Por isso, os funcionários vão realizar, na sexta-feira, uma manifestação.



«Neste momento, temos um défice brutal de motoristas. Acresce que, diariamente, a STCP deixa por realizar mais de 500 viagens em toda a sua rede», lê-se num comunicado enviado à Lusa pelas organizações representativas dos trabalhadores.

Entendem que esta degradação da STCP é aparentemente premeditada e tem como propósito «facilitar, aos olhos da opinião pública, a passagem do serviço de transportes, que a tutela pretende implementar para a Área Metropolitana do Porto para a administração privada».

«É intuito do conselho de administração da STCP, protegido pela tutela, fazer crer à opinião pública que o transporte público prestado por uma empresa pública é menos eficiente que o que pode fazer uma empresa privada».

As organizações estranham que «ninguém» fiscalize a operação da empresa «na sua obrigação de cumprir o serviço público para o qual está mandatada».

E «face ao incumprimento generalizado dos horários previstos¿, adiantam, os motoristas enfrentam diariamente a ¿fúria dos clientes», sendo «a insegurança já uma realidade, já que, amiúde, ocorrem situações de conflito entre motoristas e passageiros».

Também o «recurso sistemático que é solicitado aos motoristas para fazerem trabalho suplementar, muitas das vezes alguns deles sem tempo para almoçarem ou jantarem, pode levar a situações de ocorrência gravosas». Os funcionários da STCP responsabilizam a administração da empresa e o Governo pela «insegurança que os trabalhadores vivem».

A manifestação terá lugar à porta da empresa, pelas 10:30, seguindo-se uma conferência de imprensa.

O concurso público para a subconcessão da operação e manutenção da STCP e do Metro do Porto foi lançado a 8 de agosto.

Entretanto, o Ministério da Economia recebeu mais de 2.200 perguntas por parte dos dez interessados na concessão, que levantaram o caderno de encargos, o que poderá conduzir a um adiamento dos prazos para a entrega das propostas.