As conclusões preliminares do relatório de avaliação da operadora de transportes Resende apontam para a existência de “dados preocupantes” quanto à conservação e manutenção da frota e o “aumento” de acidentes durante 2016, segundo revelou a Câmara de Matosinhos.

O documento da autarquia surge após uma reunião com responsáveis da Área Metropolitana para avaliar a execução do acordo tripartido estabelecido em junho de 2016, e válido até ao fim de 2017, com a empresa Resende.

A reunião ocorreu dias depois de um incêndio ter deflagrado num autocarro da empresa, situação que se voltou a registar esta quarta-feira em Valongo.

Durante a reunião foi ainda apreciado o relatório da avaliação feita pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes à Resende, solicitado pela Câmara Municipal de Matosinhos na sequência de um acidente mortal ocorrido em outubro último e que envolveu uma viatura daquela empresa”, acrescenta o comunicado.

Segundo a autarquia, “as conclusões preliminares desta avaliação apontam para a existência de dados preocupantes no que respeita à conservação e à manutenção da frota da Resende”.

O relatório dá igualmente nota de um aumento do número de sinistros envolvendo viaturas da empresa durante o ano de 2016, sendo este acréscimo passível de suscitar a apreensão das autoridades e dos utentes”, salienta.

Reunião urgente

Perante os resultados, a Câmara de Matosinhos e a Área Metropolitana do Porto decidiram convocar a empresa de transportes Resende “para uma reunião urgente, a ter lugar na próxima semana”.

E deixaram o aviso: “caso os responsáveis da Resende, Atividades Turísticas, SA, não apresentem garantias de cumprimento imediato das recomendações feitas pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, o presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Eduardo Pinheiro, poderá propor na próxima reunião do Conselho Metropolitano, marcada para 28 de julho, a abertura imediata de um concurso público para a concessão dos transportes públicos em Matosinhos”.

Um autocarro da Resende incendiou-se esta quarta-feira em Valongo, distrito do Porto, não tendo, contudo, sido necessária a intervenção dos bombeiros.

Na sexta-feira, um outro veículo da Resende incendiou-se em Matosinhos, sem causar feridos, mas tendo sido necessária a intervenção dos Bombeiros Voluntários de Leixões.

Nesse mesmo dia, o Conselho Metropolitano do Porto (CmP) mostrou-se “muito preocupado” com mais um acidente envolvendo aquela transportadora de passageiros e avançou ser necessário reavaliar a concessão daquela empresa que vigora até ao final de 2017.

A agência Lusa tentou ouvir a Resende mas tal não foi possível até ao momento.