O presidente da associação Transparência e Integridade considerou hoje não haver uma estratégia política de combate à corrupção em Portugal, vincando que é um «tema solto» na reforma da Justiça e que está concentrado em «meia dúzia de magistrados».

Luis de Sousa, presidente da Transparência e Integridade Associação Cívica (TIAC), reagia desta forma à prisão preventiva do ex-primeiro-ministro José Sócrates, indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção, e a todo o mediatismo que envolveu o processo desde que este foi detido, na passada sexta-feira.

«Há uma concentração de competências em meia dúzia de magistrados. Isso é preocupante, significa que ao longo dos anos não se investiu na investigação deste tipo de crimes, na consolidação de recursos, nas condições de trabalho e inclusive na especialização», disse Luis de Sousa à agência Lusa, acrescentando que «não se cuidou [deste problema] porque não há uma estratégia política de combate à corrupção, nunca houve nos sucessivos governos».


Para o responsável pela associação não-governamental Transparência e Integridade, a corrupção aparece «como um tema solto nas reformas da Justiça» e como «um tema vago em que tudo e qualquer coisa pode encaixar».

Luís de Sousa considerou ser «difícil, por vezes, investir nesta área», já que poderá trazer «consequências negativas para determinados membros dos partidos».

«Poderá haver aqui uma estratégia política de fazer com que a Justiça não funcione, com que as investigações não levem a bom porto, temos variadíssimas ilustrações que nos levantam a suspeita de interferência política», sublinhou.


Luis de Sousa salientou estar preocupado com os recursos e meios que os magistrados têm à sua disposição para fazer o trabalho com «todo o rigor e profissionalismo que este exige», lembrando que a justiça «não sabe comunicar com a opinião pública».

«Estou preocupado que estejamos a navegar sem qualquer rumo ou estratégia política de combate à corrupção e que o pouco que se vê seja fruto do trabalho e profissionalismo de alguns agentes da Justiça, que nem sequer são assim tantos. Sabemos que há agentes da Justiça que não querem ter nas mãos estes tipos de processos – processos quentes – e que fogem deles como o diabo na cruz», sublinhou.


No entanto, Luis de Sousa enalteceu a existência de um «punhado de bons homens» que que têm a «coragem de pegar nestes processos de fio a pavio», mesmo que alguns dos processos possam não resultar em acusações.