O presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP) defendeu esta terça-feira a realização de um referendo aos lisboetas sobre a requalificação que a Câmara quer efetuar no eixo Saldanha-Picoas, considerando que as alterações ao tráfego previstas são prejudiciais.

“Como isto vai prejudicar todos os lisboetas, isto não vai prejudicar só os moradores daquela zona, penso que deveria ser feito um referendo aos cidadãos em Lisboa para perguntar se querem, efetivamente, que haja mais uma mexida no eixo central”, disse Carlos Barbosa.

O responsável do ACP, que falava aos jornalistas após uma reunião com o vereador do CDS-PP na Câmara de Lisboa, João Gonçalves Pereira, frisou que não é possível “reduzir as faixas de rodagem da maneira que querem reduzir, sobretudo as laterais, onde está o comércio e onde está o estacionamento”.

“Uma cidade como Lisboa não pode ser governada assim”, acrescentou.

Carlos Barbosa exemplificou que, para ir para a Avenida Duque de Ávila desde a Avenida Fontes Pereira de Melo ou para a Rua João Crisóstomo, terá de se entrar “no Saldanha (…) pelo lado lateral, visto que vão eliminar toda a parte central de viragem à direita”.

“Agora imagine a fila que vai ser feita na Fontes Pereira de Melo”, apontou.

Para o presidente do ACP, “isto é um projeto que não tem pés nem cabeça. É mais uma vez uma guerra contra o carro que não faz sentido nenhum”.

“A Câmara devia era preocupar-se em fazer silo autos à entrada de Lisboa para que as pessoas pudessem, efetivamente, poder movimentar-se nos transportes públicos”, salientou.

No início de setembro, a Câmara aprovou a contratação de uma empreitada por 9,4 milhões de euros (11,5 milhões incluindo o Imposto sobre o Valor Acrescentando – IVA) para iniciar a requalificação entre Picoas e o Saldanha, ao abrigo do programa “Uma praça em cada bairro”.

A autarquia deverá adjudicar a obra no início do próximo ano.

O centrista João Gonçalves Pereira afirmou hoje estar contra a “enorme prepotência” da maioria socialista no executivo municipal, por não envolver moradores e entidades do setor no projeto.

A seu ver, a intervenção “compromete a circulação e a mobilidade […] em toda a cidade”, assinalou, falando ainda numa redução de 604 lugares, o equivalente a 75% face ao existente.

Segundo o ACP – que tem perto de 300 mil sócios, 100 mil dos quais no concelho –, “84% das pessoas que vem trabalhar para Lisboa vem de automóvel”.

“Mesmo que o dr. Manuel Salgado [vereador do Urbanismo] e que o dr. Fernando Medina [presidente do município] odeiem os automóveis, [esta] é uma realidade”, adiantou Carlos Barbosa.

De acordo com o Estudo de Tráfego do Eixo Central, datado de setembro, a intervenção visa “aumentar a qualidade do espaço público” nas avenidas da República e Fontes Pereira de Melo, através de passeios mais largos e “com pavimentos confortáveis e seguros” e de passadeiras remodeladas.

Ao mesmo tempo, pretende-se criar uma “pista ciclável em ambas as laterais, transformando as vias laterais de trânsito em vias de trânsito local (30 quilómetros/hora) e desincentivando a sua utilização de forma contínua”.

A autarquia quer ainda “aumentar o número de árvores plantadas para aumentar a captura de CO2 [dióxido de carbono]”, pode ler-se.