Notícia atualizada às 20:40

A bebé prematura, filha de emigrantes, que nasceu num hospital privado do Dubai, com apenas 25 semanas de gestação e 410 gramas, vai ser transferida para um hospital público. O Ministério da Saúde do Dubai acedeu, assim, ao pedido do Governo português nesse sentido. 

Eugénia e Gonçalo Queiroz, os pais, estavam desesperados e já tinham feito um apelo no Facebook, a pedir 50 mil euros para conseguirem cumprir a caução exigida pela unidade privada para continuar a tratar da pequena Margarida. Conseguiram angariar 60 mil euros. 

«Tivemos hoje a resposta que ontem (segunda-feira) havíamos solicitado ao ministério da Saúde do Dubai relativamente à questão da transferência da criança do hospital onde se encontra para um outro hospital, público e mais barato», disse à Lusa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário. «A título excecional - foi-nos comunicado hoje de manhã -, essa transferência é autorizada para o hospital onde há disponibilidade para o efeito, o hospital do emirado de Ajman, adjacente ao Dubai», precisou.

Segundo o governante português, os pais já estão a par desta autorização, a mãe já esteve com o encarregado da secção consular no hospital onde a criança se encontra, o Mediclinic City Hospital, e o médico responsável pelos serviços já lhes transmitiu em que termos é que a transferência foi autorizada. «Amanhã (quarta-feira) de manhã, os pais irão ao hospital de Ajman para assinarem, também eles, a autorização da transferência, depois de falarem com a direção e com a equipa clínica», explicou Cesário.

O secretário de Estado precisou que os custos do internamento neste hospital «são os mais baixos cobrados nos Emirados [Árabes Unidos]» e que «com a recolha de fundos efetuada, os pais da criança têm meios para pagar uma parte significativa da despesa em causa». «Quanto ao resto, teremos de ver, de acordo com as condições do agregado familiar, em que circunstâncias é que eles podem ser merecedores de algum apoio excecional», acrescentou.

Sobre a hipótese de transferência da bebé para Portugal, José Cesário indicou que, por enquanto, ainda é inviável: «A única coisa que sabemos é que, neste momento, os médicos não autorizam a transferência [para Portugal] por razões clínicas, ou seja, a criança não está em condições de fazer uma viagem de cerca de oito ou nove horas de avião, portanto, vai ter de continuar no Dubai até ganhar resistência que permita aos pais – e isso é uma opção dos pais – trazê-la».

Entretanto, a Força Aérea, pela voz do ministro da Defesa, já se disponibilizou a transportá-la para Portugal, assim que esse transporte seja clinicamente possível. «A oportunidade e as condições, do ponto de vista médico, para que isso se possa executar não dependem de nós. Logo que isso seja necessário, logo que seja oportuno em termos médicos, a Força Aérea, como sempre, estará disponível para cumprir mais essa missão», afirmou José Pedro Aguiar Branco.

O ministro sublinhou que «existe essa disponibilidade e existe essa capacidade» por parte da Força Aérea, em cujo «leque de missões» se encontra o transporte de feridos e pessoas a necessitar de cuidados médicos em hospitais portugueses.

Em relação a eventuais riscos de mover a «prematura extrema» - designação dada a bebés nascidos com entre 24 e 30 semanas de idade gestacional - mesmo dentro dos Emirados Árabes Unidos, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas esclareceu que «o médico responsável pela equipa clínica que a está a seguir considera que a transferência, que é uma viagem de cerca de uma hora, se pode fazer sem riscos para a criança».

O governante assegurou ainda que a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas “«vai continuar atenta à evolução da situação». «Por outro lado, acho que não deve ser posta de parte a hipótese de, a prazo, a criança vir para Portugal, de acordo, evidentemente, com a situação clínica dela».

«É uma questão que está referenciada, o senhor ministro da Saúde disponibilizou as unidades do Serviço Nacional de Saúde para a receber, o Hospital de São João, no Porto, também chegou a ter uma equipa disponível para a ir buscar e, portanto, continuamos disponíveis para apoiar a família se eles entenderem dar esse passo e no momento em que seja possível dá-lo», concluiu.