A Polícia Judiciária (PJ) anunciou, esta quinta-feira, a detenção de sete suspeitos de tráfico de pessoas, escravidão, rapto e sequestro, tendo identificado seis alegadas vítimas que terão sido aliciadas para trabalhar na atividade agrícola e construção civil.

As detenções decorreram no âmbito da «Operação Portugal Total» que foi desencadeada pela Diretoria do Norte da PJ e os crimes terão ocorrido em várias localidades dos distritos de Beja, Faro e Guarda, bem como em Espanha.

Os detidos, cinco homens e duas mulheres, com idades compreendidas entre os 23 e 41 anos, são agricultores ou não possuem ocupação laboral, e vão ser hoje presentes a tribunal para aplicação de eventuais medidas de coação.

Segundo referiu a PJ, em comunicado, os suspeitos foram indiciados pelos crimes de tráfico de pessoas, escravidão, rapto, sequestro para fins de exploração laboral e ainda ofensas à integridade física qualificada.

Durante a operação, foram detidas mais duas pessoas, por crimes de resistência e coação sobre funcionário e posse de armas proibidas.

A PJ disse ainda que identificou, até ao momento, seis pessoas que terão sido aliciadas para trabalhar na atividade agrícola e construção civil por conta dos suspeitos, nomeadamente em campanhas agrícolas espanholas.

Em contrapartida, os detidos alegadamente ofereciam um «montante diário em numerário, alojamento, transporte e alimentação».

No entanto, segundo a PJ, contrariamente ao que lhes havia sido proposto, as vítimas «viram-se forçadas a trabalhar de forma não remunerada, sujeitos a condições indignas e condicionados na sua liberdade ambulatória, perante o regime de intimidação, ameaças e maus-tratos por parte dos suspeitos, aproveitando-se das condições de fragilidade das vítimas».

Os indícios recolhidos pela investigação demonstram o ¿caráter prolongado da atividade ilícita desenvolvida pelos detidos, não só no âmbito da tutela da ordem jurídica portuguesa mas também da espanhola.

De acordo com a PJ, os suspeitos «vão fazendo circular entre várias famílias os "trabalhadores" como de mera mercadoria se tratasse».

A operação contou com a colaboração de várias unidades da Polícia Judiciária, bem como dos destacamentos e unidades da GNR e da PSP das respetivas áreas de intervenção.

Esta ação policial foi realizada no desenvolvimento de várias investigações que têm sido encetadas pela Diretoria do Norte da PJ e que têm vindo a revelar um campo alargado de atuação criminosa no território nacional e em território espanhol.