Portugal identificou 299 potenciais vítimas de tráfico de pessoas em 2013, mais 206 que um ano antes, revela o relatório anual do departamento de Estado norte-americano sobre tráfico de seres humanos no mundo.

«O Governo de Portugal não preenche completamente com os "standards" mínimos para a eliminação do tráfico, no entanto está a fazer significativos nesse sentido», refere o relatório.

Em 2013, o Governo português identificou 299 potenciais vítimas, o que compara com 93 um ano antes.

Das 299 potenciais vítimas, 45 foram confirmadas como tal, 80 não se inseriam no tráfico de seres humanos, e a identificação dos restantes 174 estavam sob investigação.

De acordo com o relatório, dos 219 casos confirmados ou sob investigação, 138 vítimas foram alvo de trabalho forçado e 53 de tráfico sexual. O relatório adianta que 49 potenciais vítimas eram menores.

«Investigar, acusar e condenar os responsáveis pelo tráfico e dar sentenças apropriadas, refletindo a gravidade dos seus crimes», recomenda o relatório a Portugal, defendendo a necessidade de existirem abrigos especializados e assistência para vítimas menores e de formar juízes e procuradores para estejam mais sensíveis aos casos de tráfico humano.

Segundo o documento, Portugal é fonte, trânsito e destino para homens, mulheres e crianças sujeitas a trabalho forçado e tráfico de sexo.

As vítimas de tráfico identificadas em Portugal são, na sua maioria, do Brasil, Moçambique, Bulgária, Gana, Nigéria, Guiné, Mali, Roménia, Bósnia, Croácia, Nepal e Tailândia.

«As vítimas que passam por Portugal são muitas vezes sujeitas a tráfico de sexo na zona Schengen», refere o relatório.

No caso das vítimas portuguesas, estas são na sua maioria homens, que são sujeitos a trabalho forçado em restaurantes, agricultura e atividades domésticas em Portugal e Espanha.