Tráfico humano aumenta em Portugal

Serviço de Estrangeiros e Fronteiras fala de «actividade altamente rentável»

Por: Redação / JCS    |   15 de Abril de 2008 às 22:12
A inspectora superior do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) considera que o tráfico de pessoas para exploração sexual e laboral está a aumentar em Portugal, crimes que têm que ser combatidos com cooperação das polícias internacionais, noticia a agência Lusa.

«Se uma realidade era mais conhecida até agora, o facto do tráfico de pessoas para efeito laboral ter sido criminalizado e começar a haver recolha de dados e investigações a esta realidade, demonstra que ambas as realidades estão a subir», disse aos jornalistas a investigadora do SEF Luísa Maia Gonçalves.

«Actividade altamente rentável»

Após uma campanha de sensibilização contra o tráfico de seres humanos, em São Marcos, Sintra, a inspectora superior do SEF adiantou que «esta é uma actividade altamente rentável que vem logo a seguir ao tráfico de armas ou de drogas».

Segundo a inspectora do SEF, «tem que haver uma cooperação entre as polícias dos diferentes países» para combater este tipo de crimes que, em Portugal e na Europa, «se começa a verificar em grande escala através do tráfico de seres humanos para fim sexual, laboral e se calhar de alguma eventual escravatura doméstica».

O inspector-geral da Administração Interna, António Clemente Lima, disse à Lusa que «as forças de segurança estão atentas e têm feito um trabalho de algum detalhe sobre este tipo de rotas [de tráfico humano]. Há uma boa comunicação com as organizações de segurança estrangeiras, o que é essencial neste tipo de prevenção».

Tráfico de crianças

Relativamente ao tráfico infantil, a inspectora do SEF, referiu que em Portugal houve «casos de tráfico de crianças para efeitos de mendicidade e para a prática de outros crimes» e sublinhou que, relativamente ao tráfico para efeitos sexuais, «não convém confundir a pedofilia com o tráfico de crianças».

«Uma coisa é certa, este tipo de fenómenos quando começam a acontecer em países próximos do nosso temos que estar prevenidos para eles e, neste momento, começa a haver alguma sensibilidade que a questão nos pode afectar mais do que aquilo que se terá pensado», disse.

«Em Portugal não há tráfico de órgãos»

Relacionado com o tráfico de seres humanos está o tráfico de órgãos, situação que Luísa Maia Gonçalves desmente existir em Portugal.

«Em Portugal não há conhecimento de tráfico de órgãos. As histórias que se contam em que a pessoa acordou sem um órgão nalgum supermercado ou numa loja são de todo irreais, até porque não era possível a remoção de órgãos para efeito de tráfico sem meios tecnológicos sofisticados em termos de equipamentos de saúde», referiu a inspectora do SEF.

Brasil, Europa de Leste e Nigéria

Luísa Maia Gonçalves nomeou o Brasil, os países de Leste e a Nigéria como os principais pontos de origem do tráfico de seres humanos para o nosso país.

«A nacionalidade brasileira representou um número muito grande, não forçosamente em tráfico de seres humanos, mas em situações que também podem resvalar nessas, e os países de Leste que, embora há uns anos atrás o crime não fosse tipificado como tal, representaram o tráfico de seres humanos para exploração laboral», referiu.
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