O auditório da Associação Empresarial da Região de Viseu (AIRV) está esta quarta-feira a receber um julgamento que envolve 55 acusados dos crimes de tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa e detenção de arma proibida.

O julgamento teve início hoje de manhã, sob a vigilância de um forte dispositivo da GNR dentro e fora do edifício e nas redondezas do Parque Industrial de Coimbrões.

A sessão começou cerca de duas horas após a hora marcada, com 47 arguidos presentes e mais de 40 advogados. No público, além dos jornalistas e de um grupo de alunos de um curso profissional de serviço jurídico, estavam duas dezenas de pessoas.

A presidente do coletivo de juízes fez uma síntese da acusação, explicando que o tráfico de drogas acontecia inicialmente no Bairro da Balsa mas, após apreensões aí efetuadas, "deslocou-se de forma maciça para o Bairro de Paradinha".

No entanto, a atuação era semelhante num e noutro, com algumas pessoas a venderem aos consumidores e outras encarregues de "vigiar as entradas e saídas dos bairros" para avisar em caso de aproximação de agentes da polícia.

Segundo a acusação, havia uma hierarquia na organização que os restantes arguidos reconheciam e chegaram a ser utilizados "menores de idade como intermediários" nas vendas aos consumidores.

As doses "custavam sempre cinco euros, quer fosse cocaína, quer fosse heroína" e, se os consumidores comprassem o equivalente a 25 euros, "teriam direito a uma dose extra", referiu, acrescentando que eram ainda desenvolvidas outras estratégias de fidelização.

Todos os arguidos estão acusados do crime de tráfico de estupefacientes agravado, a grande maioria do crime de associação criminosa e apenas um do crime de detenção de arma proibida.

Até à paragem para almoço, além da síntese da acusação, foi feita a identificação dos 47 arguidos presentes (três dos quais têm estado detidos no Estabelecimento Prisional de Viseu ao abrigo de outros processos).

A maioria disse ter a profissão de feirante e viver no Bairro Social de Paradinha.

Dos 47 arguidos, apenas cinco manifestaram a vontade de prestar declarações. À tarde, deverá estar também presente outro arguido que se encontra detido na Guarda.

Durante o período de identificações, por duas vezes a juíza teve de lembrar aos arguidos que, apesar de estarem no edifício da AIRV, se deviam comportar como se estivessem numa sala do tribunal.

Isto é uma audiência de julgamento", frisou.

O julgamento prosseguiu às 14:30, com os depoimentos dos cinco arguidos.