O Ministério Público (MP) pediu esta quarta-feira, no Tribunal de Coimbra, 10 anos de prisão para a telefonista do Estabelecimento Prisional de Coimbra acusada de envolvimento numa alegada rede de tráfico de droga, num julgamento que envolve mais 11 arguidos.

 

A procuradora defendeu, durante as alegações finais, uma pena «que ronde os 10 anos de prisão» para a funcionária do estabelecimento, acusada de tráfico de estupefacientes agravado, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e corrupção por ato ilícito.

 

Segundo o Ministério Público, ficou provado que os arguidos, nove dos quais reclusos na prisão de Coimbra, «atuavam conjuntamente» e de forma articulada num «negócio muito bem montado», em que a telefonista «demonstrou destreza e empenho na atuação».

 

A alegada rede envolvia tráfico de álcool, anabolizantes, estupefacientes (haxixe e heroína), telemóveis e produtos eletrónicos.

 

Segundo a procuradora, apesar de «nem toda a prova ser direta», o tribunal tem elementos «mais do que suficientes» para condenar 11 dos 12 arguidos. Os nove reclusos estão acusados de tráfico e corrupção ativa.

 

«As penas têm que ser mais do que os mínimos», sublinhou.

 

A procuradora frisou ainda que «a liberdade de depoimento» dos arguidos foi muito afetada «por pactos de silêncio, cumplicidades, medos e ameaças», considerando que «o tráfico que acontece na prisão» suscita o «transtorno da ordem e organização interna» e potencia «focos de criminalidade que podem atingir proporções muito graves».

 

O Ministério Público referiu ainda que «não há prova suficiente» em relação ao branqueamento de capitais de que a filha da telefonista era acusada.

 

No decorrer das alegações, a advogada de defesa da telefonista do Estabelecimento Prisional de Coimbra salientou que a arguida «caiu numa armadilha», mas «colaborou e esclareceu» as autoridades, e afirmou que a perda de emprego «já é uma pena para o resto da sua vida».

 

O advogado de um dos reclusos defendeu que o seu cliente era um «mero peão», teoria defendida também por outros.

 

Dos advogados presentes, seis pediram a absolvição dos seus clientes, dois a pena mínima, um a suspensão de pena e um a absolvição por corrupção e a pena mínima para tráfico.

 

A leitura da sentença ficou marcada para 13 de novembro, no Tribunal de Coimbra.