O Tribunal de Aveiro condenou esta terça-feira a quatro anos e meio de prisão, com pena suspensa, uma mulher, de 74 anos, acusada de ajudar o filho a traficar droga, que guardava na Bíblia e em outros locais espalhados pela casa.

O coletivo de juízes deu como provado que a septuagenária e o filho, de 40 anos, se dedicavam à venda de cocaína e heroína, de forma concertada, pelo menos desde 2013.

Durante a leitura do acórdão, a juíza presidente disse que o tribunal não teve dúvidas de que a idosa "sabia o que fazia", contrariando a tese da defesa de que a arguida "não tinha consciência" da gravidade do ato.

Os dois arguidos estavam acusados pela prática em coautoria de tráfico de produto estupefaciente agravado, mas foram condenados pelo mesmo crime na forma simples.

A pena mais gravosa, de seis anos de cadeia, foi aplicada ao filho da idosa, atendendo ao facto de ter sido o "mentor" e de ter antecedentes criminais pelo mesmo tipo de ilícitos.

A septuagenária foi condenada a quatro anos e meio de prisão, cuja execução foi suspensa por igual período de tempo, sujeita a regime de prova.

"Provou-se que mais do que ganhar dinheiro, a senhora queria ajudar o seu filho, mas esta ajuda era proibida. Não pode voltar a vender droga. Isto é muito grave. A droga dá cabo de jovens como as suas netas", disse a juíza presidente dirigindo-se à arguida, após a leitura do acórdão.


Durante o julgamento, o arguido, atualmente em prisão preventiva, confessou o tráfico, que justificou pela necessidade de suportar o seu próprio consumo, e mostrou arrependimento, reporta a Lusa.

O tribunal determinou a devolução à arguida de 500 euros em numerário e ainda de cerca de 17 mil euros depositados numa conta bancária, bem como de uma das viaturas apreendidas.

Os dois arguidos foram detidos pela GNR a 14 de dezembro do ano passado, após vários meses de investigação.

Durante uma busca à residência dos arguidos, em Válega, Ovar, as autoridades encontraram droga escondida numa bíblia e em outros locais da casa.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a idosa assumia "o papel principal" no atendimento de consumidores, quando o filho saia de casa para ir trabalhar.

De acordo com a investigação, os arguidos conseguiam um lucro de pelo menos quatro mil euros por mês, o que não foi provado.