O Automóvel Club de Portugal (ACP) criticou esta quarta-feira as obras do Eixo Central de Lisboa, entre Picoas e o Saldanha, nomeadamente por reduzirem os lugares de estacionamento, provocarem engarrafamentos de tráfego e diminuírem a largura das faixas de rodagem.

Numa nota, o ACP afirmou que a Câmara não respondeu às questões que levantou sobre as obras no denominado Eixo Central, mas considerou que as suas dúvidas em relação ao projeto estão “confirmadas” pelo “modo como estão a decorrer as obras”.

Entre as críticas, o ACP destacou a “drástica redução” de lugares de estacionamento “numa zona em que não existem alternativas” para residentes e clientes, salientando que os anunciados parques de estacionamento para residentes e para apoio à atividade económica da cidade “continuam a não se concretizarem, nem se sabe para quando estão previstos”.

Em maio, o presidente da autarquia, Fernando Medina (PS), admitiu que as obras de requalificação do Eixo Central, abrangendo as avenidas Fontes Pereira de Melo e da República, vão levar à redução de 60 lugares de estacionamento.

Porém, o ACP indicou que neste projeto serão suprimidos 570 lugares (“mais de 490 só na Avenida da República”) e que serão criados “pouco mais de 80 novos”, “por transformação de estacionamento longitudinal em espinha nas avenidas João Crisóstomo e Miguel Bombarda”.

“O anterior plano de reabilitação do espaço público, reordenamento do estacionamento e circulação na zona das Avenidas Novas – objeto de exposição pública no anterior mandato da Câmara de Lisboa – continua sem sair do papel”, acrescentou.

O ACP criticou também “a diminuição efetiva da largura das faixas de rodagem para além do que constava do projeto apresentado ao público”, o que considerou “incompatível com os volumes de circulação existentes e com a composição do tráfego – onde o peso relativo dos pesados é muito significativo, a começar pelos autocarros da Carris e os de turismo”.

Outra das questões levantadas está relacionada com “inúmeros engarrafamentos de tráfego, tanto nas avenidas objeto da intervenção, como nas transversais que as cruzam”.

O ACP acusou a autarquia de “total desrespeito pelas mais elementares regras técnicas de dimensionamento e de segurança de tráfego, em nome de projetos paisagísticos de embelezamento destas avenidas”.

Além disso, apontou, o município não esclarece “como se resolvem os acessos à maternidade Alfredo da Costa e se garante a necessária capacidade ao cruzamento da Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Tomás Ribeiro – para já não mencionar os cruzamentos com a Avenida da República – e como funcionará a praça das Picoas”.

Para o ACP, a autarquia pôs “o carro à frente dos bois” e iniciou as intervenções “no espaço mais visível e mais interessante para os turistas” sem primeiro “criar as necessárias alternativas de tráfego a este eixo principal da cidade, de se intervir primeiro no conjunto do interior das Avenidas Novas e de se construírem aí as vias clicáveis e os estacionamentos necessários aos seus residentes”.

O projeto do Eixo Central, em obras desde o final de abril deste ano, prevê o alargamento dos passeios, a criação de zonas verdes, a repavimentação das faixas de rodagem, o reordenamento do estacionamento e a criação de uma ciclovia bidirecional, no âmbito do programa “Uma praça em cada bairro”.

A Lusa questionou hoje Fernando Medina sobre as críticas da ACP, à margem de uma visita a novos parques de estacionamento na Graça, mas o autarca remeteu para os serviços de comunicação do município, que ainda não deram resposta.