Soam as 12 badaladas, comem-se as 12 passas, pedem-se 12 desejos. Em Portugal, a viragem do ano tem de ter isto à meia-noite do dia 1 de janeiro. Mas tradições há muitas e às dúzias.

Há quem suba a uma cadeira com o pé direito erguido, quem não entre no novo ano sem ter uma nota no bolso ou no sapato. Quem vista roupa interior nova e, de preferência, de cor azul. Quem dê um repenicado beijo a quem ama. Ou isto tudo junto. E tudo para ter melhor sorte nos 365 ou 366 dias que se seguem. Brindando com quê? Espumante ou champanhe, claro.

Pode parecer bizarro, mas atirar dinheiro para dentro de casa, abrir todas as portas, acender todas as luzes ou entrar, sair e voltar a entrar onde tinha estado e dançar à volta de uma árvore são outros dos rituais praticados em terras lusas.

As tradições variam de região para região. Se é português, veja se já ouviu falar disto:

Panelas ao alto

É um ritual mais comum no sul do país e consiste em bater tampas de panelas à janela. Para quê? Diz-se que afugenta tudo o que de mau se passou no ano anterior. Quanto mais barulho, maior a eficácia. Por isso é que também é hábito ouvirem-se muitos apitos ou buzinas ao passar da meia-noite. Sem esquecer o fogo-de-artifício que, para além do espetáculo visual, produz uma mescla de sons que ecoa durante quilómetros. Ao juntar luz e fogo simboliza, de resto, a purificação e é uma forma de afastar o mal, segundo os antigos rituais pagãos.

Rapazes mascarados

É a Festa dos Rapazes, no Nordeste de Trás-os-Montes. Várias aldeias são palco de desfiles de caretos, máscaras, chocalheiros ou mascarados. Todos rapazes jovens (as mulheres não entram) vestem fatos de serapilheira, máscaras de latão, andam de chocalhos à cintura. O ritual marca a passagem à idade adulta e consiste na presença obrigatória em missas, em purificar os moradores da zona e fazer crítica social.

Crianças com autorização para fumar

Em Vale Salgueiro, Mirandela, há outro ritual polémico: incentivar os adolescentes a fumar. Dezenas de crianças andam pelas ruas com maços de tabaco, com autorização dos próprios pais, que deixam-nos fumar mas só durante dois dias. Não se sabe a origem de tal tradição, mas há quem diga que vem do tempo dos reis.

Fogueiras e queimadas

Ainda em Trás-os-Montes, acendem-se fogueiras para celebrar o Ano Novo. Em Réfega, Bragança, por exemplo, ano sim ano sim, na noite de 31 de dezembro, é queimado um boneco feito de trapos e de palha, como símbolo do ano velho que passou.

Ramos a leilão

Também em Réfega, há outra tradição: um ramo que junta doces, frutos e cigarros. É leiloado no dia 1 de Janeiro e representa uma árvore fértil.

Em Rio de Onor, são as jovens da terra que se juntam para encher o ramo com chouriça, salpicão, guloseimas, chocolates e bolos. Vai igualmente a leilão.

Tomar banho em água gelada

É o primeiro banho do ano para muitos, em zonas com praia. Ritual obrigatório em Carcavelos, Nazaré, Figueira da Foz, Aveiro, Vila Nova de Gaia ou Matosinhos. Dá energia para todo o ano.

As janeiras também ajudam. Quem nunca teve um grupo afinado a tocar à porta?