Os trabalhadores portugueses no Luxemburgo são os mais expostos ao risco de cair na miséria, com quase um quarto a ganhar menos que o limiar de pobreza, segundo o último relatório «Coesão Social e Emprego», do Statec.

De acordo com o instituto de estatísticas do Luxemburgo, no ano passado 22,1% dos trabalhadores portugueses viviam com menos de 1.665 euros por mês, considerado o limiar da pobreza, num país em que as rendas podem ultrapassar os mil euros.

A taxa de risco de pobreza dos portugueses aumentou no último ano (em 2012 era de 20,9%) e é superior ao risco da população em geral (15,9%), representando mais do triplo dos luxemburgueses na mesma situação (6,4%).

Recusa de portugueses sem-abrigo «é discriminatória»

A Associação de Apoio aos Trabalhadores Imigrantes (ASTI) considera que a recusa de acolher emigrantes há menos de cinco anos no país em albergues para sem-abrigo no Luxemburgo, é «discriminatória» e viola princípios europeus.

«Os cidadãos europeus não podem ser discriminados em relação aos luxemburgueses. A partir do momento em que tenham um certificado de residência no país têm direito a ser acolhidos [em instituições para sem-abrigo]», afirmou a presidente da ASTI, Laura Zuccoli, para quem o caso pode configurar também uma «violação do princípio da liberdade de circulação» na União Europeia (UE).

Questionada pela agência Lusa sobre o caso, a ministra da Família, Corinne Cahen, negou ter dado «instruções» nesse sentido, afirmando que a directiva emanou do Governo anterior, chefiado pelo actual presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker.

Certo é que a ordem para recusar sem-abrigo com menos de cinco anos de residência no país tem vindo a ser aplicada no Foyer Ulysse «pelo menos desde Janeiro» passado, disse a presidente da ASTI, que soube dos primeiros casos «no início deste ano, através de uma voluntária que trabalhou no Foyer Ulysse».