Cerca de 50 trabalhadores da segurança privada concentraram-se esta sexta-feira em frente à Associação das Empresas de Segurança, em Lisboa, para garantir que «não vão aceitar o contrato do patrão» e cumprir uma greve entre 26 e 27 de março.

Na moção aprovada na concentração promovida pelo STAD - Sindicatos dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Atividades Diversas os trabalhadores afirmaram a «recusa de acordar qualquer contrato coletivo de trabalho que (os) prejudique».

Os trabalhadores também quiseram declarar a «sua disposição para dialogar, negociar e acordar que a revisão do CCT é total, como é total a sua disponibilidade para continuarem a lutar contra o terrorismo social patronal”.

Carlos Trindade, coordenador do STAD, criticou, entre outros aspetos, as tentativas da Associação das Empresas de Segurança e da Associação Empresas Segurança, Incêndio, Roubo e Fogo (AESIRF) de impor uma bolsa horas, o que, afirmou, «destruirá a vida privada das pessoas».

Outras das críticas do sindicalista relacionam-se com a «alteração do horário de trabalho noturno» e a redução para 40% do pagamento das horas extraordinárias quando agora é remunerado entre 50 a 100%.

«Queremos negociar e queremos rever o contrato coletivo de trabalho, mas não queremos de forma nenhuma que os direitos sejam eliminados. Não aceitamos, não negociaremos, não acordaremos a redução e a eliminação de direitos do contrato coletivo de trabalho.»


Por seu lado, o presidente da Associação das Empresas de Segurança, Rogério Alves, afirmou que o STAD está «disposto a negociar, desde que não haja negociação e que a associação aceite o que o sindicato quer».

«Negociar significa transigir e o contrato tem de refletir o Portugal da crise do século XXI. Não vale a pena proclamar, chamar terroristas e tem de se olhar para a realidade, na qual as empresas de segurança têm menos clientes, que pagam menos, pagam mais tarde e pagam pior.»


Num contexto em que há diminuição de trabalho e «encargos fiscais brutais», o responsável indicou a necessidade de um «contrato moderno, que salve os postos de trabalho», que é o contrato feito com a FETESE (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores de Escritório e Serviços).

Presente na concentração esteve o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, que indicou que concentrações como as desta sexta-feira fazem parte de uma «dinâmica forte que vai continuar a ser intensificada até ao 1 de maio (Dia do Trabalhador)».

«Depois do 1.º de maio passamos à luta mais geral e convergente nesta exigência de melhores condições de vida e de trabalho, mas acima de tudo de respeito pelos trabalhadores porque não há democracia, sem contratação coletiva.»


Da parte da tarde, os trabalhadores concentram-se frente à AESIRF.

Segundo os dados do STAD, a vigilância privada emprega cerca de 40 mil trabalhadores, num setor em que a faturação anual é de cerca de 700 milhões de euros, com os funcionários a ganharem, na sua maioria, cerca de 640 euros.