Um grupo de ativistas que reclama o fim das touradas em Viana do Castelo anunciou hoje a realização de uma concentração pacífica para domingo, às 16:00, próximo do local onde está prevista a realização de uma corrida de touros.

«Um grupo de cidadãos irá deslocar-se ao local da tortura animal, em Darque demonstrando, pacificamente o seu desagrado. Já informamos a Câmara de Viana da intenção de procedermos a essa concentração», afirmou à Lusa Ana Macedo, porta-voz do movimento cívico.

Na semana passada, o movimento «Vianenses pela Liberdade» entregou na Câmara de Viana do Castelo o pedido de licenciamento da instalação de uma praça de toiros amovível para a realização de uma tourada no próximo domingo.

Este movimento foi criado em 2009, depois de a câmara ter aprovado, por proposta da maioria socialista, uma declaração afirmando Viana como «antitouradas», prevendo não autorizar qualquer evento deste género em terrenos públicos ou privados desde que tal dependesse de decisão do município.

Contatado agora pela Lusa, José Carlos Durães, porta-voz do movimento este ano assume a organização do espetáculo tauromáquico, adiantou que a corrida já está licenciada pela Inspeção Geral das Atividades Culturais (IGAC) e que a praça amovível começou a ser montada hoje.

Também contatado pela Lusa, o presidente da Câmara de Viana do Castelo escusou-se a prestar declarações sobre o assunto.

Já Ana Macedo criticou a autarquia por ter recuado com o regulamento municipal para proteção dos animais face à publicação da legislação nacional que veio regulamentar a realização de espetáculos tauromáquicos e por ter «desprezado» milhares de assinaturas recolhidas desde 2013 para sustentar o regulamento municipal e «nem discussão pública foi feita».

«Essas assinaturas foram desprezadas pelos representantes camarários o que nos faz pensar que, garantidamente, os advogados ao serviço de todos nós, na Câmara Municipal, sabem, exatamente, como evitar que a tortura prossiga no dia 24», afirmou Ana Macedo.

A ativista disse «estar a tentar manter a esperança» de que o município vai conseguir «fazer cumpra a lei e evitar a tourada anunciada para o último dia das festas d'Agonia».

«Não sei é como é que uma série de regras exigidas pela nova lei vão ser cumpridas. É suposto que os animais, após a lide, tenham que ser abatidos no espaço de cinco horas. Não percebo como é que isso vai acontecer quando Viana não tem matadouro. Há sempre muitas maneiras de tornear a lei mas tenho que manter a esperança que o departamento jurídico da Câmara sabe o que está a fazer», rematou.

Em julho passado quando o município decidiu deixar cair o regulamento para proteção dos animais José Maria Costa garantiu que o decreto-Lei nº 89/2014, publicado em Diário da República a 11 de junho, veio «clarificar de uma vez por todas» o regime de realização de touradas.

«Perante isto o nosso regulamento municipal deixava de ter sentido já que há um regulamento nacional para estas atividades», explicou na ocasião.

Animal convoca ativistas para manifestação

A associação Animal está a convocar, através das redes sociais, ativistas antitouradas para uma ação de sensibilização e vigília, domingo, em Viana do Castelo, contra a corrida anunciada por um movimento local de aficionados.

«Por favor junte-se à Animal, no domingo, dia 24 de Agosto, a partir das 16:00 em frente à Estação da CP na Avenida dos Combatentes Grande Guerra», lê-se no apelo lançado pela associação de defesa dos animais e hoje consultado pela Lusa.

Câmara indeferiu pedido

A Câmara de Viana do Castelo indeferiu o pedido de um movimento local para a instalação de uma arena amovível em Darque, alegando falta de informação no processo, disse à Lusa fonte autárquica.

«O pedido foi indeferido por má instrução do processo, nomeadamente por não identificar o local, através de extrato cartográfico, a zona de segurança e as instalações sanitárias», adiantou à mesma fonte.